sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Páginas de um Diário público


Aldo Zari, em Veneza

Presença

Aldo Zari morreu há mais de três anos e, no entanto, eu vivo com ele.

O nosso último encontro real acontecera quase um quarto de século antes do seu desaparecimento.

Sim, desaparecimento, dizer morte é absurdo.

Absurdo?

Sim, porque o sinto presente.

Ao longo dos tais vinte e cinco anos, escrevemos-nos e falámos ao telefone, longas conversas que ultrapassavam a hora.

E isso acontecia quando era preciso.

Assim valia para ele e para mim.

Agora, há o senti-lo ao meu lado. -e a sua morte que se apaga.

Chego-me à sua presença: conforta e aquece a alma. A vida -essa coisa esquisita a que demos o nome de vida- é muitas vezes dura e traz solidão.

Aldo presente enche o vazio e varre as escórias que negam aquilo a que chamamos absoluto.

2 comentários:

  1. Nem todos têm a sorte de ter uma amizade assim!
    Os amigos são uma riqueza. Costuma dizer-se que os amigos são a família que escolhemos, e é verdade!

    Um beijinho e continuação de um bom dia:)

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  2. Isabel, penso que a amizade funda não acontece quando as pessoas são dominadas pelo medo de se abrirem, pelo egoísmo, pela mesquinhez. Não penso que a Isabel sofra desses males. Bjs.

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