quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Declaração de José Sócrates à comunicação social: o arguido também tem direito a falar




Declaração de José Sócrates

Em 26 de Novembro de 2014

Há cinco dias “fora do mundo”, tomo agora consciência de que, como é habitual, as
imputações e as “circunstâncias” devidamente seleccionados contra mim pela acusação
ocupam os jornais e as televisões. Essas “fugas” de informação são crime. Contra a
Justiça, é certo; mas também contra mim.

Não espero que os jornais, a quem elas aproveitam e ocupam, denunciem o crime e o
quanto ele põe em causa os ditames da lealdade processual e os princípios do processo
justo.

Por isso, será em legítima defesa que irei, conforme for entendendo, desmentir as
falsidades lançadas sobre mim e responsabilizar os que as engendraram.

A minha detenção para interrogatório foi um abuso e o espectáculo montado em torno
dela uma infâmia; as imputações que me são dirigidas são absurdas, injustas e
infundamentadas; a decisão de me colocar em prisão preventiva é injustificada e
constitui uma humilhação gratuita.

Aqui está toda uma lição de vida: aqui está o verdadeiro poder – de prender e de
libertar. Mas, em contrapartida, não raro a prepotência atraiçoa o prepotente.

Defender-me-ei com as armas do Estado de Direito – são as únicas em que acredito. Este
é um caso da Justiça e é com a Justiça Democrática que será resolvido.

Não tenho dúvidas que este caso tem também contornos políticos e sensibilizam-me as
manifestações de solidariedade de tantos camaradas e amigos. Mas quero o que for
político à margem deste debate. Este processo é comigo e só comigo. Qualquer
envolvimento do Partido Socialista só me prejudicaria, prejudicaria o Partido e
prejudicaria a Democracia.

Este processo só agora começou.

Évora, 26 de Novembro de 2014



José Sócrates

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