sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O livro do dia


Este homem não tem a alma congelada

Américo Rodrigues publicou uma antologia dos post que publicou no seu blogue com o mesmo nome: Café Mondego.

Américo Rodrigues despertou uma cidade -a Guarda- e, ao mesmo tempo, fez -e faz- tremer raízes tenebrosas, abriu-lhe as portas da Cultura.

É uma personalidade fortíssima, amada e inevitavelmente detestada.

Respeitada pela obra  e perseguida, por ter inquietado quem dormia há séculos, no rimanço da imbecil resignação; por ter aberto, à cidade e àqueles que tinham sede de saber, as portas do fabuloso mundo das Artes.

Durante 9 anos, dirigiu, magistralmente, o Teatro Municipal da Guarda e acendeu as luzes de uma cidade às escuras.

Hoje, é o ex-director do TMG -afastado por um apaixonado da ignorância.

Por um obsoleto.

Por um apagador do Espírito.

Neste seu livro, Américo Rodrigues aparece inteiro: homem sem medo, frontal, vertical, cavaleiro da Távola Redonda.

Esta interessantíssimo antologia do Café Mondego explica o ódio que despoletou e o preço que pagou -e mostra quanto a Guarda lhe deve.

Ele limitou-se a apontar os reizinhos nus, os malefícios da estupidez, a corrupção rampante, e, também os caminhos bloqueados cujos muros tentou deitar abaixo.

E muito conseguiu.

A Guarda, por mais que os rancorosos, os ignorantes incuráveis, os mafiosos queiram, já nunca mais voltará a ser como foi.

Américo Rodrigues semeou uma outra Guarda -e ela aí está, a mexer-se e a combater.

E ele aí está, a lutar pela sua Guarda, em cada linha que escreve, em cada gesto que faz.

p.s. parabéns a Daniel Rocha pela excelente introdução e selecção de textos; parabéns a Sérgio Gamelas pela excelente capa.     

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