sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O Ideal e a Utopia: alicerces da vida viva


Um Homem, um exemplo, uma saudade

De quanto disse, na homenagem a António Lopes Cardoso, aqui trago estas poucas linhas testemunho das minhas convicções e dos valores que me guiam: 

"O 25 de Abril foi informado por um sonho, por uma utopia, por um ideal.

E ainda bem!

Da palavra utopia faz-se mau, péssimo uso, que pretende justificar a traição à liberdade, à igualdade e à fraternidade.

Que procuram atraiçoar, liquidar a justiça social.

Ideal, sonho e utopia: são os construtores do mundo. 

Ao longo dos séculos, transformaram-se em realidade.

Contra ventos e marés -muitos ventos, muitas brutais reacções à luta pela justiça- realizaram a esperança.

A esperança que, hoje, neste país estranho e, dir-se-ia, perseguido por mau fado, vai sendo sufocada, enterrada, apagada.

E essa praga estende-se a milhões de portugueses os quais, diante do mau governo que aperta o garrote da injustiça social, se resignam ou se vão embora.

António Lopes Cardoso não era homem para resignações ou desistências; recusava abandonar o barco.

O seu exemplo, recordá-lo, citá-lo tem hoje, a contrário, um peso muito grande

Ouço dizer que nos faz muita falta.

 Salinger tem, num dos seus textos, a seguinte frase, que, frequentemente, me apraz lembrar:

“Todos nós crescemos, mas muitos limitam-se a envelhecer.”

Limitam-se a envelhecer, por fora e por dentro… desistentes da vida.

Afinal mortos vivos, que aceitam o comboio, que os leva da estação de partida à Estação Terminus, em que se cumpre uma vida sem sentido.

António Lopes Cardoso foi um lutador, fiel aos seus ideais.

Ardeu com eles."




6 comentários:

  1. Fazem-nos falta homens assim, com ideais! Hoje só temos, a conduzir os nossos destinos, garotada gananciosa e corrupta!
    Um beijinho

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  2. Tenho tanta pena de não ter estado presente!
    Também o Manuel é um lutador e muito fiel aos seus ideais.... O que o torna um homem incómodo, tal como o irmão foi!

    Um beijinho.:))

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  3. Isabel, nos 10 anos que passaram sobre a morte de António Lopes Cardoso, o Diário de Notícias publicou um longo artigo de Artur Portela, com o seguinte título em letras grossas: "A Cara Lavada do 25 de Abril".

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  4. Cláudia, não há comparação! O António era "primo" do Antero!

    Mas, sim, luto e pago -respeito-me e respeito os outros.

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