quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Dificuldade que tem um reino velho para emendar-se

Manuel Laranjeira

Num momento tão difícil, que nos atira não só para a pobreza mas, também, para o desgosto de viver, para a atonia, apatia, calhou-me abrir as Cartas de Manuel Laranjeira, reeditadas pela estupenda editora Relógio d’Água, e 1ª edição, póstumas, de 1943 (Portugália Editora), com Prefácio de Miguel de Unamuno, e encontrei, destinado a Amadeu de Sousa Cardoso e datado de 21 de Março de 1908, este desabafo:

“Querido Amigo;
Perdoe-me. Este estúpido mal-estar que hoje se vive em Portugal rouba-nos o ânimo para tudo o que não seja imundície política.”

Hoje, 106 anos passados, sentimos o mesmo.

Sonhámos a revolução liberal de 1820; a Iª República; o 25 de Abril de 1974 -e o destino cruel foi cortando na raíz as nossas esperanças.

A tragédia de Manuel Laranjeira foi a nossa: ir, sempre, caindo nas mãos de carrascos, de reaccionários, apontados a amputar o progresso Cultural e a Justiça Social, neste país.

Creio que poucos conhecem Manuel Laranjeira e se me engano, ainda bem.

O seu Diário Íntimo, também postumamente editado pela Portugália Editora, com Introdução e Notas de Alberto de Serpa (1957) é uma das pérolas da nossa Literatura -um dos raríssimos Diários publicados após a morte dos seus autores e, por isso, íntimo e sem subterfúgios.

Procurem Manuel Laranjeira e leiam-no: a sua obra é o testemunho sangrento de um mal que se diria incurável: a incapacidade do povo português tomar as rédeas do seu próprio destino.

  Página do Diário Íntimo

2 comentários:

  1. Infelizmente, parece que Portugal está condenado a esta tristeza!

    Tive a sorte de "conhecer" Manuel Laranjeira aqui no "Sobre o Risco" ! Já tenho algumas obras e gosto muito!

    Desejo-lhe um bom fim-de-semana!

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  2. Isabel, então já conhece o "bicho"... Um beijo. Bom fim de semana, querida amiga!

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