Num momento tão difícil, que nos atira não só para a pobreza
mas, também, para o desgosto de viver, para a atonia, apatia, calhou-me abrir
as Cartas de Manuel Laranjeira,
reeditadas pela estupenda editora Relógio d’Água, e 1ª edição, póstumas, de
1943 (Portugália Editora), com Prefácio de
Miguel de Unamuno, e encontrei, destinado a Amadeu de Sousa Cardoso e datado de
21 de Março de 1908, este desabafo:
“Querido Amigo;
Perdoe-me. Este
estúpido mal-estar que hoje se vive em Portugal rouba-nos o ânimo para tudo o
que não seja imundície política.”
Hoje, 106 anos passados, sentimos o mesmo.
Sonhámos a revolução liberal de 1820; a Iª República; o 25 de
Abril de 1974 -e o destino cruel foi cortando na raíz as nossas esperanças.
A tragédia de Manuel Laranjeira foi a nossa: ir, sempre,
caindo nas mãos de carrascos, de reaccionários, apontados a amputar o progresso
Cultural e a Justiça Social, neste país.
Creio que poucos conhecem Manuel Laranjeira e se me engano,
ainda bem.
O seu Diário Íntimo, também
postumamente editado pela Portugália Editora, com Introdução e Notas de Alberto
de Serpa (1957) é uma das pérolas da nossa Literatura -um dos raríssimos Diários publicados após a morte dos seus
autores e, por isso, íntimo e sem
subterfúgios.
Procurem Manuel Laranjeira e leiam-no: a sua obra é o testemunho sangrento de um mal
que se diria incurável: a incapacidade do povo português tomar as rédeas do seu
próprio destino.


Infelizmente, parece que Portugal está condenado a esta tristeza!
ResponderEliminarTive a sorte de "conhecer" Manuel Laranjeira aqui no "Sobre o Risco" ! Já tenho algumas obras e gosto muito!
Desejo-lhe um bom fim-de-semana!
Isabel, então já conhece o "bicho"... Um beijo. Bom fim de semana, querida amiga!
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