quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

A Carta de Bruges

Infante D. Pedro



Carta enviada de Bruges, pelo Infante D. Pedro a D. Duarte, em 1426, resumo feito por Robert Ricard e constante do seu estudo «L’Infant D. Pedro de Portugal et “O Livro da Virtuosa Bemfeitoria”», in Bulletin des Études Portugaises, do Institut Français au Portugal, Nova série, tomo XVII, 1953, pp. 10-11).

«O governo do Estado deve basear-se nas quatro virtudes cardeais e, sob esse ponto de vista, a situação de Portugal não é satisfatória.                                                           
A força reside em parte na população; é pois preciso evitar o despovoamento, diminuindo os tributos que pesam sobre o povo.                                                          
Impõem-se medidas que travem a diminuição do número de cavalos e de armas.
É preciso assegurar um salário fixo e decente aos coudéis, a fim de se evitarem os abusos que eles cometem para assegurar a sua subsistência.                                                          
É necessário igualmente diminuir o número de dias de trabalho gratuito que o povo tem de assegurar, e agir de tal forma que o reino se abasteça suficientemente de víveres e de armas; uma viagem de inspeção, atenta a estes aspetos, deveria na realidade fazer-se de dois em dois anos.
A justiça só parece reinar em Portugal no coração do Rei [D. João I] e de D. Duarte; e dá ideia que de lá não sai, porque se assim não fosse aqueles que têm por encargo administrá-la comportar-se-iam mais honestamente.                                                          
A justiça deve dar a cada qual aquilo que lhe é devido, e dar-lho sem delonga.
É principalmente deste último ponto de vista que as coisas deixam a desejar: o grande mal está na lentidão da justiça.                                                          
Quanto à temperança, devemos confiar sobretudo na ação do clero, mas ele [o Infante D. Pedro] tem a impressão de que a situação em Portugal é melhor do que a dos países estrangeiros que visitou.                                                          
Enfim, um dos erros que lesam a prudência é o número exagerado das pessoas que fazem parte da casa do Rei e da dos príncipes.
De onde decorrem as despesas exageradas que recaem sobre o povo, sob a forma de impostos e de requisições de animais.                                                          
Acresce que toda a gente ambiciona viver na Corte, sem outra forma de ofício.»

Quem foi o Infante D. Pedro:

http://cfidp.esgc.pt/file.php/1/Microsoft_Word_-_INFANTE_D_PEDRO.pdf

5 comentários:

  1. Parece que nunca mudamos!

    FELIZ ANO NOVO ( apesar de tudo), porque a esperança não morre!
    Um bom primeiro dia do ano!

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  2. Manuel,
    Uma beleza este registo. Um começo de ano fantástico no "Sobre o Risco".
    É sempre bom passar por aqui pois leva-nos a pensar e a lutar.
    Gostei muito de ler esta carta que revela bem que nunca aprendemos com os erros do passado. A história encontra pontos de contacto entre várias épocas e a coluna que une esses pontos fazem ver como somos sempre nós mesmos...
    Beijinho grato e um Feliz 2014, sempre com garra. :)))

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  3. Mudamos, Isabel! Ou, antes, mudaremos! Se não, afundamo-nos desta vez!
    Bom Ano!

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    1. Isabel, mudamos, mudamos... mas muito devagar... De cada vez que aparece uma cabeça iluminada, uma tentativa a sério de enriquecer cultural e consequente sociallmenete o nosso país... cortam,-lhe o caminho: o Infante D. Pedro, Duque de Coimbra, em Alfarrobeira; os liberaais de 1920, em 150, dpois de uma guerra civil brutal; a Rpública, com Salazar; o 25 de Abril, com Cavaco e Cia... Mas avançamos! Ou desaparecemos do mapa...

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  4. Ana, o homem que escreveu essa carta era um homem excepcional, inovador, que foi assassinado pelo próprio sobrinho, em Alfarrobeira. Lutamos contar um atraso Cultural imenso. E os quase 50 anos de Salazar foram uma facada qu explica seja tão reaccionário e inculto o governo que nos mata dia a dia, hoje.

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