De quanto disse, na
homenagem a António Lopes Cardoso, aqui trago estas poucas linhas testemunho das minhas convicções e dos valores que me guiam:
"O 25 de Abril foi informado por um sonho, por uma
utopia, por um ideal.
E ainda bem!
Da palavra utopia faz-se mau, péssimo uso, que
pretende justificar a traição à liberdade, à igualdade e à fraternidade.
Que procuram atraiçoar, liquidar a justiça social.
Ideal, sonho e utopia: são os construtores do
mundo.
Ao longo dos séculos, transformaram-se em realidade.
Contra ventos e marés -muitos ventos, muitas brutais
reacções à luta pela justiça- realizaram a esperança.
A esperança que, hoje, neste país estranho e, dir-se-ia,
perseguido por mau fado, vai sendo sufocada, enterrada,
apagada.
E essa praga estende-se a milhões de portugueses os quais,
diante do mau governo que aperta o garrote da injustiça social, se resignam ou se vão embora.
António Lopes Cardoso não era homem para resignações
ou desistências; recusava abandonar o barco.
O seu exemplo, recordá-lo, citá-lo tem hoje, a contrário, um peso muito grande
Ouço dizer que nos faz muita falta.
Salinger tem, num dos seus textos, a seguinte
frase, que, frequentemente, me apraz lembrar:
“Todos
nós crescemos, mas muitos limitam-se a envelhecer.”
Limitam-se a envelhecer, por fora e por dentro…
desistentes da vida.
Afinal mortos vivos, que aceitam o comboio, que os
leva da estação de partida à Estação Terminus, em que se cumpre uma vida sem
sentido.
António Lopes Cardoso foi um lutador, fiel aos seus
ideais.


Aplausos de pé.
ResponderEliminarbjs nossos
Muito obrigado, amigas!
ResponderEliminarBeijos muitos.
Fazem-nos falta homens assim, com ideais! Hoje só temos, a conduzir os nossos destinos, garotada gananciosa e corrupta!
ResponderEliminarUm beijinho
Tenho tanta pena de não ter estado presente!
ResponderEliminarTambém o Manuel é um lutador e muito fiel aos seus ideais.... O que o torna um homem incómodo, tal como o irmão foi!
Um beijinho.:))
Isabel, nos 10 anos que passaram sobre a morte de António Lopes Cardoso, o Diário de Notícias publicou um longo artigo de Artur Portela, com o seguinte título em letras grossas: "A Cara Lavada do 25 de Abril".
ResponderEliminarCláudia, não há comparação! O António era "primo" do Antero!
ResponderEliminarMas, sim, luto e pago -respeito-me e respeito os outros.