Admirava
as cabeças de Lara e Katenka, adormecidas nas almofadas brancas. A roupa
imaculada, o asseio do quarto. A pureza dos seus traços, que se confundiam com
a pureza da noite, da neve, das estrelas e da lua, numa mesma onda indivisível
que o atingia em pleno coração, o fazia rir de alegria e chorar e lhe revelava
o sentimento da pureza triunfante da existência.
“Senhor!
Senhor!” -murmurava quase em voz alta.”E tudo isto para mim! Por que me dais
tanto? Por que me deixastes aproximar de vós, por que me permitistes partilhar
desta terra incomparável, sob as vossas estrelas, aos pés desta beleza
arrojada, resignada, infeliz, que não posso deixar de contemplar?”
Boris Pasternak in Il
dottor Zivago, Feltrinelli Editore, 1957***
***os azuis não são da minha responsabilidade... coisas de blogues...
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