quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Palavras de Yuri Andreievich Jivago ou de Boris Leonidovich Pasternak diante do milagre da vida





Boris Pasternak

Admirava as cabeças de Lara e Katenka, adormecidas nas almofadas brancas. A roupa imaculada, o asseio do quarto. A pureza dos seus traços, que se confundiam com a pureza da noite, da neve, das estrelas e da lua, numa mesma onda indivisível que o atingia em pleno coração, o fazia rir de alegria e chorar e lhe revelava o sentimento da pureza triunfante da existência.

“Senhor! Senhor!” -murmurava quase em voz alta.”E tudo isto para mim! Por que me dais tanto? Por que me deixastes aproximar de vós, por que me permitistes partilhar desta terra incomparável, sob as vossas estrelas, aos pés desta beleza arrojada, resignada, infeliz, que não posso deixar de contemplar?”


Boris Pasternak in Il dottor Zivago, Feltrinelli Editore, 1957***

***os azuis não são da minha responsabilidade... coisas de blogues...     

Sem comentários:

Enviar um comentário