Do livro Tomaz de Figueiredo Ensaio
Crítico-Biográfico, obra essencial e de leitura urgente, de Albertina
Fernandes (Calendário das Letras,
2013), página 185, transcrevo as
seguintes implacáveis palavras do genial autor d’ A Toca do Lobo, que tudo dizem desta lesma encostada ao Atlântico (expressão d’ Eça de Queirós):
“…exactamente,
o país pasmado onde nada acontece, que melhor tema de romance? Que maior drama
que o de um país povoado por mortos em pé, e indefinidamente incorruptos,
procriando filhos mortos, necessitando apenas ar nos pulmões, dispensando pensamentos
no cérebro só de remate, a cabeça: frontão arquitectónico ou chavelho
heráldico?!”
Tomaz de Figueirdo
referia a ditadura salazarista, o Portugal do Estado Novo cuja miséria
espiritual e cultural denunciou, violentamente, perseguido que foi da censura e
da polícia do regime; hoje, noutras circunstâncias à mesma trágica abulia
regressamos…

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