sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A tragédia portuguesa



Do livro Tomaz de Figueiredo Ensaio Crítico-Biográfico, obra essencial e de leitura urgente, de Albertina Fernandes (Calendário das Letras, 2013), página 185, transcrevo as seguintes implacáveis palavras do genial autor d’ A Toca do Lobo, que tudo dizem desta lesma encostada ao Atlântico (expressão d’ Eça de Queirós):

“…exactamente, o país pasmado onde nada acontece, que melhor tema de romance? Que maior drama que o de um país povoado por mortos em pé, e indefinidamente incorruptos, procriando filhos mortos, necessitando apenas ar nos pulmões, dispensando pensamentos no cérebro só de remate, a cabeça: frontão arquitectónico ou chavelho heráldico?!”


Tomaz de Figueirdo referia a ditadura salazarista, o Portugal do Estado Novo cuja miséria espiritual e cultural denunciou, violentamente, perseguido que foi da censura e da polícia do regime; hoje, noutras circunstâncias à mesma trágica abulia regressamos…   

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