Obra de Fra Angélico
CADA NATAL, RECORDO OS MEUS
NATAIS…
Cada Natal recordo os
meus Natais
Da infância, feitos de
imaginação
E de tão pouco mais.
(Sei bem que me destrói
a confissão!)
Não tinham neve. Eram
de chuva fria.
O Menino Jesus da loja
dos brinquedos
Nunca podia dar-me o
que eu pedia.
(Só tu me ajudas,
Poesia,
A libertar segredos!)
E eu pedia a lapinha de
Belém
Sem bonecos de barro
coloridos:
Onde nascesse alguém
Real e com os braços
estendidos.
Alguém que fosse Deus
ou eu
Concluso, enfim.
E habituei-me à festa
ser no céu
E não em mim.
António Manuel Couto
Viana in Raiz da Lágrima, Editorial
Verbo, Lisboa, 1973

Sem comentários:
Enviar um comentário