domingo, 29 de dezembro de 2013

A Vítima do Ano ou o Símbolo da Perseguição à Cultura

Américo Rodrigues: na sua integridade, verticalidade e alma ferida, ele tornou-se no símbolo do ódio à Cultura que caracteriza o capitalismo financeiro, aos trambolhões em Portugal e a dar cabo do nosso País, da nossa Identidade, da nossa Diferença

Portugal inteiro -todos os portugueses, com vergonhosas excepções- foram este anos, e mais uma vez, vítimas do mau governo -e de que maneira!

Desemprego, fome, miséria, emigração obrigatória, eis o que nos tem oferecido o governo de Passos Coelho.

E, também, o que é gravíssimo e nos faz regressar aos anos salazaristas: a destruição da Cultura.

A arbitrária demissão de Américo Rodrigues de Director do Teatro Municipal da Guarda, é o exemplo máximo da perseguição à Cultura, ao Ensino, às Artes, que Coelho e os seus desenvolvem.

Américo Rodrigues criou o TMG.

Abriu as portas da Cultura à Guarda.

Arrancou a Guarda ao anonimato.

Internacionalizou a Guarda.

Trouxe, à Guarda, que o mesmo é dizer a Portugal, os melhores espectáculos, o melhor teatro, a melhor música, o melhor bailado -os melhores artistas e intelectuais.

Divulgou a existência de um pequeno país, mais ou menos ignorado, pela Europa, pelo Mundo.

Educou milhares de pessoas.

É um homem livre.

É um homem independente.

É estruturalmente democrata e defensor do Estado Social, do Estado Protector.

E é um homem que não sacrifica a nenhum partido político.

É um combatente pela Liberdade da Cultura.

Todas essas preciosas qualidades, todo esse precioso trabalho, incomodaram o novo presidente da Câmara Municipal da Guarda, vindo de Gouveia, escanchado na mula do seu partido, o PSD.

E eis o neo- presidente da CMG a demitir Américo Rodrigues, indignado, por certo, com a sua personalidade: ser Américo Rodrigues um homem de Cultura, ser um superior divulgador de Cultura, ser um homem independente.

Não levou a mão à pistola, como ameaçava e praticava Goebbels; optou por mostrar que não é desses, quis-se moderado: levou a mão ao telefone.

Cumpriu a cartilha do governo e, ao que parece, do PSD, que o sustentam: proibiu a Cultura.

Empobreceu a Guarda, empobreceu os portugueses -sujou ainda mais o governo e o PSD.

Não creio que tenha chegado onde queria: nem Américo se cala, nem a Cultura se enterra.

A semente que Américo Rodrigues espalhou é indestructível: medrou.

Afinal creio que, ao vitimarem-no, o honraram.

Bem haja, Américo!


  

11 comentários:

  1. A cultura e a educação ensinam as pessoas a pensar e quando as pessoas não pensam não dão problemas.

    Que pobre país o nosso.

    Desejo-lhe um bom domingo, aproveitando o que ninguém pode roubar: o Sol, que hoje (pelo menos por enquanto) resolveu aparecer.
    Um beijinho

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    1. Isabel, é isso mesmo! Bom Domingo com o nosso belo e único sol português! Beijos.

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  2. "Bem haja, Américo" - como dizemos na Beira. E está tudo dito.

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    1. Amigos da Licorne: é assim mesmo! Um grande Homem o nosso Américo!

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  3. Não o conheço, nem isso importa. Trata-se de um Homem que teve a ousadia de lutar pela Cultura num país que se quer analfabeto - e que por acaso é o nosso! - e por esse "crime" foi penalizado.
    Por isso, pela luta por um bem essencial, o meu agradecimento, o meu respeito.

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  4. Manuel, infelizmente as pessoas com as excelentes e raras qualidades de Américo Rodrigues, são preteridas pois não alinham em jogadas. São VERTICAIS!!

    Um beijinho.:))

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  5. Manuel,
    Nem tenho palavras.
    Apenas quero dizer que a sua partilha e denúncia é um oásis.
    Beijinho.

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  6. Ana, segui a minha consciência e aprendi isso sozinho, desde a infância... na Guarda, terra de gente dura, vertical, sincera. Um beijo.

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  7. Os valores querido amigo dificilmente nos são tirados...deixamos essa riqueza aos nossos filhos.
    E a consciência tem que pesar muito em alguém...se é que a têm!!

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