segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

No cemitério dos grandes escritores

Raul Brandão



Teixeira de Pascoaes

Já aqui falei da fúria canibalesca que se desenvolve na feira literata portuguesa.

Quando autores, ainda que Grandes, Excepcionais, batem a sola, os nossos literatos tratam-lhe logo da saúde.

Primeiro, choram as tradicionais lágrimas de crocodilo, depois apressam-se a correr o miserável pano do silêncio.

Precipitam-se a agarrarem o lugar que julgam caber-lhes na ribalta -e basta.

Os mortos que se amanhem na noite do esquecimento.

Tantos e tão recentes!

Um livro excelente, que, por acaso, descobri, Raul Brandão-Teixeira de Pascoaes, Correspondência, Recolha, transcrição, actualização do texto e notas de António Mateus Vilhena e Maria Emília Marques Mano, Quetzal Editores, Lisboa, 1994, levou-me a reabrir Brandão e Teixeira de Pascoes -daí, o post que intitulei Alegria; daí esta outra passagem da mesma obra do grande poeta de Amarante, a referir, aliás, outro morto-vivo, Camilo:

“A luz entrega o mundo; a sombra recebe-o, comunga-o. A sombra é a pintura da fome. A sombra é intimidade, abismo, coração. A luz é toda carne e superfície. Ame a luz quem a puder amar, como dizia Camilo, esse esqueleto dum Anjo, chamuscado e denegrido.” 

Teixeira de Pascoaes, na obra citada no post Alegria.



Camilo Castelo Branco




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