Já aqui falei da fúria
canibalesca que se desenvolve na feira literata portuguesa.
Quando autores, ainda
que Grandes, Excepcionais, batem a sola, os nossos literatos tratam-lhe logo da
saúde.
Primeiro, choram as
tradicionais lágrimas de crocodilo, depois apressam-se a correr o miserável pano
do silêncio.
Precipitam-se a
agarrarem o lugar que julgam caber-lhes na ribalta -e basta.
Os mortos que se
amanhem na noite do esquecimento.
Tantos e tão recentes!
Um livro excelente, que,
por acaso, descobri, Raul
Brandão-Teixeira de Pascoaes, Correspondência, Recolha, transcrição,
actualização do texto e notas de António Mateus Vilhena e Maria Emília Marques
Mano, Quetzal Editores, Lisboa, 1994, levou-me a reabrir Brandão e Teixeira de
Pascoes -daí, o post que intitulei Alegria;
daí esta outra passagem da mesma obra do grande poeta de Amarante, a referir,
aliás, outro morto-vivo, Camilo:
“A
luz entrega o mundo; a sombra recebe-o, comunga-o. A sombra é a pintura da
fome. A sombra é intimidade, abismo, coração. A luz é toda carne e superfície.
Ame a luz quem a puder amar, como dizia Camilo, esse esqueleto dum Anjo,
chamuscado e denegrido.”
Teixeira de Pascoaes, na obra citada no post Alegria.
Teixeira de Pascoaes, na obra citada no post Alegria.
Camilo Castelo Branco



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