quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Livraria Lumière: um tesouro




Pediu-me a Livraria Lumière umas breves linhas para o seu mais recente catálogo, do qual constam, além de muitas outras, três excelentes obras de Mestre João Gaspar Simões. Foi uma honra e um prazer. Aqui vos deixo o apontamento:

João Gaspar Simões nasceu, na Figueira da Foz, a 25 de Fevereiro  de 1903, e faleceu, em Lisboa, a 6 de Janeiro de 1987.

Deixa uma obra vastíssima -mais de 60 títulos- que vai da ficção narrativa ao teatro, à crítica e à biografia.

Com Branquinho da Fonseca e José Régio fundou a revista presença (1927-1940) cuja importância para a Cultura portuguesa do século XX é insuperável. Tal qual insuperável, inigualável, a obra crítica de Gaspar Simões.

A independência e a capacidade para separar trigo e joio -creio que nenhum dos autores válidos da nossa Literatura desses anos, escapou ao juízo certo de Gaspar Simões- criaram-lhe um exército de inimigos. E tão acérrimo foi ataque ao grande escritor que as suas vitimas quase conseguiram apagar o seu nome e quase o enterraram vivo.

De facto, quem fala, hoje do exímio ensaísta e ficcionista?

E, no entanto e por exemplo, os romances Elói (1932), Pântano (1940),O Internato (1946), o livro de contos A Unha Quebrada (1941) são do melhor que tem a ficção portuguesa -e as biografias de Eça de Queirós e de Fernando Pessoa, obras superiores de leitura obrigatória.

João Gaspar Simões licenciou-se, em Direito, na Universidade de Coimbra e, para isso, levou quase 11 anos… A carreira académica não lhe interessava, porque a sua vida foi outra: de entrega absoluta, quase religiosa, monacal, aos trabalhos das letras -melhor diria, das artes, porque lhe ficámos a dever páginas admiráveis sobre artistas plásticos.

Com ele e na sua obra muitíssimo aprendi e a imensa saudade que me deixou -privámos mais de dez anos- testemunha da pessoa excepcional, simples e generosa que ele foi.
     
Catálogo:

2 comentários:

  1. Ainda bem que através do Sobre o Risco, João Gaspar Simões, e outros bons escritores, não são esquecidos e são dados a conhecer a leitores que de outra maneira não os conheceriam.
    Eu agradeço-lhe isso, porque aqui tenho conhecido boa literatura, bons poetas, pintores...
    Obrigada!

    Um beijinho e um bom dia!

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  2. Estimado Manuel,
    Venho agradecer o facto de ter aceite o pedido que lhe fiz. É para nós um privilégio enorme.
    Em prol da amizade e da cultura, o meu muito obrigada!
    Um beijinho especial.:))

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