Pediu-me a Livraria Lumière umas breves linhas para o seu
mais recente catálogo, do qual constam, além de muitas outras, três excelentes
obras de Mestre João Gaspar Simões. Foi uma honra e um prazer. Aqui vos deixo o
apontamento:
João Gaspar Simões
nasceu, na Figueira da Foz, a 25 de Fevereiro
de 1903, e faleceu, em Lisboa, a 6 de Janeiro de 1987.
Deixa uma obra
vastíssima -mais de 60 títulos- que vai da ficção narrativa ao teatro, à
crítica e à biografia.
Com Branquinho da
Fonseca e José Régio fundou a revista presença (1927-1940) cuja importância
para a Cultura portuguesa do século XX é insuperável. Tal qual insuperável, inigualável,
a obra crítica de Gaspar Simões.
A independência e a
capacidade para separar trigo e joio -creio que nenhum dos autores válidos da
nossa Literatura desses anos, escapou ao juízo certo de Gaspar Simões-
criaram-lhe um exército de inimigos. E tão acérrimo foi ataque ao grande
escritor que as suas vitimas quase conseguiram apagar o seu nome e quase o enterraram
vivo.
De facto, quem fala,
hoje do exímio ensaísta e ficcionista?
E, no entanto e por
exemplo, os romances Elói (1932), Pântano (1940),O Internato (1946), o livro de
contos A Unha Quebrada (1941) são do melhor que tem a ficção portuguesa -e as
biografias de Eça de Queirós e de Fernando Pessoa, obras superiores de leitura
obrigatória.
João Gaspar Simões
licenciou-se, em Direito, na Universidade de Coimbra e, para isso, levou quase
11 anos… A carreira académica não lhe interessava, porque a sua vida foi outra:
de entrega absoluta, quase religiosa, monacal, aos trabalhos das letras -melhor
diria, das artes, porque lhe ficámos a dever páginas admiráveis sobre artistas
plásticos.
Com ele e na sua obra
muitíssimo aprendi e a imensa saudade que me deixou -privámos mais de dez anos-
testemunha da pessoa excepcional, simples e generosa que ele foi.
Catálogo:

Ainda bem que através do Sobre o Risco, João Gaspar Simões, e outros bons escritores, não são esquecidos e são dados a conhecer a leitores que de outra maneira não os conheceriam.
ResponderEliminarEu agradeço-lhe isso, porque aqui tenho conhecido boa literatura, bons poetas, pintores...
Obrigada!
Um beijinho e um bom dia!
Estimado Manuel,
ResponderEliminarVenho agradecer o facto de ter aceite o pedido que lhe fiz. É para nós um privilégio enorme.
Em prol da amizade e da cultura, o meu muito obrigada!
Um beijinho especial.:))