Uma vez que lhes são
inacessíveis as artes marciais, urge distribuir pelas pessoas da terceira
idade, armas de defesa
Nota Importante: esta história é verdadeira
No tal café, enxerto de taberna em casa de pasto, onde vou, às vezes, ouvir e esquecer o ramerrame de um país assaltado e rebaixado, tentar reencontrar o Homem, eis que entra e começa um discurso esclarecedor o Chico Esperto, de roupinha arranjada e olho vivo, esticadinho e convencido.
-O negócio do futuro –elucida-
é o apoio à terceira idade. Isso é que dá! E é o que está a dar! Ideias,
amigos, ideias! O que é preciso é ter ideias!
Olha os outros,
estafados, tristes, ensimesmados, a cerveja na mão e a roupa gasta. Sorri,
superior, domina-os. Cala-os. Eles escutam-no.
-Nem mais, amigos, ideias!
Eu, por exemplo, especialmente, já comecei a fazer isso.
E explica:
-A minha vizinha vive
sozinha, está quase entrevada, tem p’r’aí uns setenta anos e custa-lhe a andar.
Não pode ir à compras. Ora bem, nada mais simples! Vou eu por ela. O minimercado
fica aí a cem metros e aproveito, compro para ela e para mim. Paga-me o
serviço, bem entendido, dois euros à vez. É dia sim, dia não. São trinta euros que
pingam no fim do mês. E, se fizerem as contas, são trezentos e sessenta euros
ao fim do ano. Sem taxas, nem IVA nem nada!
Tosse, arranja a
gravata, compõe a samarra.
-E é só uma velhinha!
Ora imaginem: se conseguir mais duas ou três, estão a ver… saco mais de cem
euros por mês, um dinheirão no fim do ano…
-Chegas ao ordenado
mínimo, pá! –gritou, do fundo, um dos presentes, em troça despeitada, carregada
de raiva, revolta e desespero.
"Nada de extraordinário.", pensei, "Apoio à terceira idade, abuso, roubo. O exemplo vem de cima..."

É mesmo Chico esperto!!
ResponderEliminarInfelizmente existem muitos...:(((
Um beijinho.:))
Cláudia, esta história é verdadeira!
ResponderEliminarInfelizmente!
Um beijo.
Felizmente também vai havendo gente solidária, porque é triste ver como as pessoas podem ser tão mesquinhas. Eu acho que é a pobreza em todos os sentidos.
ResponderEliminarUm beijinho
Isabel, atravessamos um momento terrível: de roubo organizado, de incultura, de amoralidade, de desumanidade, de decadência. Nunca tão mal viveu o homem, em todos os sentidos!
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