Porto de Lajes das Flores
(Lages
das Flores: Ao levantar ferro)
Certo o regresso a
tempo certo,
já quantas vezes te
deixei,
minha Pedra da Vida?
Conto, reconto…
enredam-se
na salsugem das
lágrimas
(sim, lágrimas, agora!)
os dedos a contar.
Abandono-te, Pedra!
E no entanto é aqui,
mesmo com nuvens sobre
os ombros
e encovado no vento
e nas vagas do cerco;
é aqui,
aqui somente que os
meus pés
sabem que assentam e
caminham
na terra do seu molde.
(O resto, amor
ou desamor
-é passagem).
Parto. Vou-me embora…
Tornarei?
-Levo roupas e livros
E limões para o enjoo.
É tudo quanto sei.
Pedro da Silveira in Sinais do Oeste, Textos Vértice,
Coimbra, 1962
para saber:
para saber:

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