domingo, 14 de outubro de 2012

No limite

Estação Termino

Não sei que orçamento o governo vai apresentar, amanhã; sei apenas aquilo que todos nós sabemos: estamos fartos.

De quê?

De sermos tratados como números, objectos, coisas –e não como pessoas.

Ontem, no tal café, enxerto de taberna em casa de pasto, que já aqui referi, ouvi este montruoso desabafo, a um pobre gebo, descendente do bonifrate trágico de Raul Brandão:

“-Se, ao menos, eles nos deixassem ser pobres! Mas andam, sempre, a roubar-nos…”

É um grito velho de oitocentos anos: o grito de um povo que nunca deixaram crescer, levantar-se, afirmar-se –conquistar o espaço e a felicidade que lhe cabe, em terra de onde Deus e a justiça emigraram, afinal em terra saqueada.

Mas seja o que for que digam eles, os do governo, eles chegaram, como todos nós, à Estação Termino.

O que virá, se conquistará, se construirá, a seguir –ninguém sabe.

Também isso ninguém sabe –por mais que eles, os do governo digam, por mais que se reinventem milagres, fados e canjirões de vinho, sebastiões e nevoeiros.

A fome está aí –e, tal qual se queixava o desgraçado da tasca de carrascão e serradura,  nem a  fome nos deixam sofrer em paz.

2 comentários:

  1. Estamos mesmo no limite e ninguém sabe o que virá a seguir.
    É muito triste ver assim o país morrer aos poucos...
    Apesar de tudo, desejo-lhe um bom domingo.

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  2. Isabel, creio que será mudança europeia e que nos arrastará. Positivamente, espero. O sistema capitalista financeiro rebentou e não é desta maneira que alguma coisa se emenda. Desta maneira:a matar à fome os mais fracos e a defender os ricos.

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