Estação Termino
Não sei que orçamento o governo vai apresentar, amanhã; sei apenas aquilo que todos nós sabemos: estamos fartos.
De quê?
De sermos tratados como números, objectos, coisas –e não como
pessoas.
Ontem, no tal café, enxerto de taberna em casa de pasto, que
já aqui referi, ouvi este montruoso desabafo, a um pobre gebo, descendente do bonifrate
trágico de Raul Brandão:
“-Se, ao menos, eles nos
deixassem ser pobres! Mas andam, sempre, a roubar-nos…”
É um grito velho de oitocentos anos: o grito de um povo que
nunca deixaram crescer, levantar-se, afirmar-se –conquistar o espaço e a
felicidade que lhe cabe, em terra de onde Deus e a justiça emigraram, afinal em terra
saqueada.
Mas seja o que for que digam eles, os do governo, eles chegaram,
como todos nós, à Estação Termino.
O que virá, se conquistará, se construirá, a seguir –ninguém sabe.
Também isso ninguém sabe –por mais que eles, os do governo digam, por mais que se reinventem milagres,
fados e canjirões de vinho, sebastiões e nevoeiros.
A fome está aí –e, tal qual se queixava o desgraçado da tasca de carrascão e serradura, nem
a fome nos deixam sofrer em paz.

Estamos mesmo no limite e ninguém sabe o que virá a seguir.
ResponderEliminarÉ muito triste ver assim o país morrer aos poucos...
Apesar de tudo, desejo-lhe um bom domingo.
Isabel, creio que será mudança europeia e que nos arrastará. Positivamente, espero. O sistema capitalista financeiro rebentou e não é desta maneira que alguma coisa se emenda. Desta maneira:a matar à fome os mais fracos e a defender os ricos.
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