Pratos chamados “Ratinhos”, que os beirões traziam consigo,
quando vinham trabalhar no Alentejo, hoje peças de museu
Terra
Campa, de Noel Teles (Empresa Nacional de Publicidade,
1949), eis um dos romances admiráveis que se escreveram sobre a epopeia alentejana.
Obra desconhecida,
ignorada, menosprezada. E, no entanto, ela guarda páginas magistrais, apaixonantes.
Cheguei ao livro -da dedicatória do autor isso
consta- em Outubro de 1969, graças a Tomaz de Figueiredo que me apresentou, na
Brasileira do Chiado, a Noel Teles –um homem de idade, gentil, reservado,
talvez céptico, ansioso, porém, do reconhecimento que nunca aconteceu.
Já aqui referi Terra Campa;
acrescento, hoje, a breve e curiosa lembrança dos imigrantes que vinham da
Beira Alta e da Beira Baixa para trabalharem a planície alentejana:
“Em
Dezembro, uma ou outra tarambola da cor do terreno aparece na terra quente. Anuncia
um Janeiro geoso para enraizar os trigos. Em princípios de Fevereiro surgem as
primeiras cegonhas. Procuram nas almiaras, em desmantelados muros, num choupo
exilado, os ninhos velhos. E as migrações dos homens e a vida das herdades
continuam reguladas pelas migrações das aves.
Os
ceifeiros da Beira Baixa, os ratinhos, vêm em Maio com as rolas e partem em
Julho com as cegonhas. Os trabalhadores da Beira Alta vêm em Novembro com os
torcazes e partem pelo S. João, quando as novas cegonhas se começam a adestrar
no voo.”

Um livro inesquecível que conta coisas maravilhosas do Alentejo e das pessoas em geral...
ResponderEliminarFiquei com vontade de ler.
ResponderEliminarSão muito bonitos os pratos.
São autênticas obras de arte, que custam hoje muitos euros... eles, os pratos dos pobres "ratinhos", emigrantes na própria pátria!
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