III
À hora das lojas abrirem, foram comprar roupa. Tinha-lhe emprestado umas calças e, quando
começou a vestir-se, ele voltou-se para a parede. Ela ficou com as calças enfiadas até aos
joelhos, e perguntou-lhe:
-Por que é que te viraste?
-Estás a vestir-te.
-Já me viste nua...
-Mas agora estás a vestir-te -e não se mexeu enquanto ela
não acabou.
Saíram, ela com o roupão encarnado e as calças de veludo
azul, ele com uma gabardina verde, que lhe chegava aos pés. No patamar, esbarraram na lareira.
-Ai! -gritou ela, que foi a que bateu.
Giacomo, a desculpar-se, disse:
-Nunca acendemos...
-Mas magoa...
Deu-lhe o braço e ajudou-a a descer as escadas. Viram o canal gelado, o passeio deserto e uma
gaivota em cima de um caixote do lixo, a arfar.
-Isto está mau -disse Giacomo
-O quê?
-Está
frio! -respondeu, a esfregar as mãos.
-Deixa
lá! -exclamou ela e fez-lhe uma festa
nas barbas. As unhas arranharam-lhe a
cara.
-Tens
umas unhas duras!
-É da
natureza!
-Qual
natureza?
-A minha
-A tua?
Não
sabia onde a levar. Tinha de lhe comprar
roupa.
-Olá! -disse o vizinho do lado, o pintor Gastone,
que vinha a cair de bêbedo- Com que
então uma sueca?
Ele não
respondeu e puxou-a, com medo que o outro a atropelasse.
-Anda
sempre assim? -perguntou Greta.
-Não. Só às vezes...
A
gaivota fugira assustada e a manhã envolvia a cidade, branca, azul. Os canais gelados reflectiam a luz e seguiam
as casas cinzentas de portadas verdes.
-Piccolo mondo... -murmurou Giacomo.
-O quê?
Ele não
respondeu. Abraçou-a e disse-lhe:
-Vamos...
Manuel, pedi a um familiar em Portugal, que me procurasse este livro. Espero que o encontre, gostaria muito de o ter em meu poder.
ResponderEliminarGrata por esta partilha.
Beijo
Sónia
Sonia, se eu tivesse 1 exemplar a mais do meu, enviava-lhe... Mas não tenho. A Leya ainda deve dispor de exemplares. Obrigado pelo seu interesse e pela sua amizade!
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