sábado, 6 de outubro de 2012

A alma portuguesa


Camilo Castelo Branco, por Júlio Pomar

Num café da periferia, desta monstruosa grande Lisboa, dormitório de trabalhadores mal pagos, descaracterizados e ancilosados, algures, num enxerto de taberna em casa de pasto, onde me refugio, às vezes, a escrever e a escutar quem lá vai, gente doída e maltratada, que já nada remedeia e nada espera, náufragos da sociedade canibal –ouvi:


“-Um homem não chora.”

E logo, veemente, a resposta de um pobre solitário, encostado ao balcão e a remexer o cálice de aguardente:

“-Um homem só chora por amor!”

Andava, por ali, Camilo.

4 comentários:

  1. Era bem provável!
    Romântico como era...
    Um beijinho e um excelente fim-de-semana.

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  2. Cláudia, e andava por lá porque nunca morre e é o tabelião da alma portuguesa... Bjs. bom fim de semana!

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  3. Muito obrigada, Manuel Poppe!
    Sabe que está bem presente...
    Um beijinho.:))

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