sábado, 11 de agosto de 2012

O admirável exemplo de Ana Drago


Esta mulher luta por nós

Sabedor da deserção portuguesa e que neste momento se soma mais uma há que já existia: agora, tudo na praia, juntos para parecerem muitos e, sobretudo, juntos na vontade de não pensarem na miséria para que os atira quotidianamente este governo; e esta se junta à que já existia e era a resignação e a inexistência social (real) de partidos políticos.

Aqui venho.

Apesar disso.

Apesar de saber do fictício que rói a nossa sociedade:

dos políticos.

Porque essa espécie vive à margem do povo, dividida entre a própria máquina que a forma -o partido- e a Assembleia da República, onde discute -  só aparentemente aguerridamente, discute quem lá chega (e para isso e para o governo, estuda).

Essa gente não fala senão entre si.

Essa gente não esclarece ninguém nem explica a ninguém o que anda, exactamente, a fazer.

Essa gente é de outro mundo.

Não é do nosso, que nos vemos à rasca para chegar com as contas certas ao fim do mês.

No tempo em que os homens esperavam -tinham esperança-, no Portugal do 25 de Abril, no tempo em que ser político não era uma carreira, uma profissão: era a vontade de realizar um Ideal,

nesses curtos anos de oiro, apaixonantes (duros e dolorosos, certamente, mas era inevitável, tão podre nos deixara o salazarismo), as pessoas falavam e aprendiam umas com as outras.

E havia as sessões de esclarecimento.

E havia amigos, não havia "os senhores deputados, os senhores ministros & Cia e etc".

Havia gente, havia povo.

Nós. 

A fossa criada entre o povo e quem os governa ou quem se diz sabedor da solução para a tragédia portuguesa só será tapada quando nós falarmos uns com os outros,

quando quem julgar saber e quem quiser saber encontrarem um dialogante.

Quando se discutir aberta e livremente o nosso futuro, o fim do roubo, da infâmia, da criminalidade encapotada.

As palavras de Ana Drago foram essa abertura: essa oferta: esse diálogo.

Bem haja!

E vamos todos a isso, que o nosso país está a acabar! 

2 comentários:

  1. Querida afilhada, isso que aí digo é tão evidente que só vê quem não quer... Ou por covardia, ou por indiferença. ou por egoísmo... Ou por estupidez... herdada dos 50 anos do salazarismo castrador... Um beijo, saudades.

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