Umberto Saba e os pássaros...
Umberto Saba (11883-1957) e Italo Svevo (1861-1928) foram considerados os
maiores escritores do século XX italiano.
Ambos são de Trieste, cidade que só voltou à Itália em 1918. Pertenceu ao
império austro-húngaro, e a fronteira, a leste, abriu-a à Eslovénia. E já
agora: é, também, a terra natal de Claudio Magris (o autor de Danúbio,
editado, entre nós, pela Dom Quixote).
Mas vamos ao sodo, como se diz em italiano; vamos ao osso, ao
essencial.
Quem ouviu a entrevista de ontem, que António Levy Ferreira me fez, para a
Rádio Universitária do Minho (aliás, podem ouvir-está guardada- no site,
programa Livros com Rum), talvez se lembre da minha frase seguinte:
‘As nossas razões são tão respeitáveis como as razões dos outros”. A
única condição que punha era que fossem elas sinceras, autênticas. Desculpem
citar-me mas (Pessoa recorria ao mesmo expediente) sou o exemplo que tenho mais
perto...
Admiro, profundamente, Umberto Saba.
O seu Canzoniere é meu livro de cabeceira, há mais de 30
anos.
Tenho a sorte de poder lê-lo no original (traduzir poesia é quase
impossível... e ressalvo, aqui, a excelente tradução que José Bento fez de
Pablo Neruda, Antologia de Pablo Neruda, Editorial Inova, defunta,
julgo...).
Admiro o grande poeta e admiro o homem de uma cara só.
Ora leiam o que segue, tirado de uma carta do pintor Gottuso, militante do
PCI, ao libertário Saba: “nunca foram tão necessários homens como tu, que se
preocupam com os outros, que transmitem aos outros a sua consciência humana, os
seus sofrimentos e a sua luz –e não importa de que coisas fales porque falas,
sempre, como homem e falas do coração humano”.
Escrevi, sobre Saba, em Novas Crónicas Italianas(Teorema) e
noutros lugares.

Concordo plenamente, Manuel. Cheguei a Saba por si e estou profundamente preso à extrema sinceridade!
ResponderEliminarGrande abraço!