Cantigas
Para Minha Mãe –no dia
dos seus anos
Ser poeta é achar
deleite
Nas suas próprias
feridas.
Ai dos seios que dão
leite
A bocas tão iludidas!
Que o filho lhe mal
pagava
Queixou-se-me certa
mãe.
-Nem a vida lhes
chegava
Se os filhos pagassem
bem.
Quem tem um filho
apartado
Sofre com dois
corações:
Um, tem-no em si bem
fechado;
Outro… lá longe aos
baldões.
Se me lembro de morrer,
Certa voz me apazigua.
Ouço a minha mãe dizer:
-“Essa vida não é tua…”
Cria uma mãe seu
menino:
Cresceu… seguiu novos
trilhos.
-E é para esse destino
Que as mães dão asas
aos filhos!
Minha mãe, se eu te
perder,
Farei de branco meu
luto:
Que é Santa toda a
mulher
Que dá poetas por
fruto.
José Régio in Colheita da Tarde, livro póstumo, 1971,
Brasília Editora (autógrafo em folha guardada na Casa de Vila do Conde, com a
data de 6 de Junho de 1925)
Notícia sobre o pintor:
http://en.wikipedia.org/wiki/Mikhail_Vrubel
Notícia sobre o pintor:
http://en.wikipedia.org/wiki/Mikhail_Vrubel

Lindíssimo poema de Régio! Comovente e belo. E as cores suaves de Vrubel são únicas também...
ResponderEliminarBom dia!
ResponderEliminarConcordo completamente com a Maria João.
Tão linda pintura e tão lindo poema.
Um lindo dia para os dois
Um beijinho