Morreu-me um Amigo! Assim, acontece. Cada vez mais, porque eu vou crescendo.
Este, João Lobo, foi um dos de Itália, leitor em Ravena, onde exercia...
...disse-me ontem a mulher, italiana de Nápoles, que se fora: morrera.
Do coração.
Ficou a viúva, os filhos, a saudade.
Era um rapaz (nesse tempo, rapaz) bom e bonito.
Lembro-o, quando vinha a Roma, ao bar do Bocaccio, na Piazza Navona.
Ao terceiro copo, confiava:
“Eu também escrevo poesia…”
Agora reli as cartas dele e encontrei obra de alma:
"Devagar caminha pela vinha
e a luz brilha no rosto.
Há fio de prata nos seus olhos
e a boca é carne e mel.
Minha estatueta de oiro e jade,
Meu cavalo branco da manhã!
As tuas pernas são os braços que desejo
os seios o sinal das rosas.
Descalça, pela vinha,
a brisa túnica de sempre,
as mãos abertas
apontam o destino."
João Lobo (1938-2012), da carta que me enviou

Lamento que tenha perdido um amigo.
ResponderEliminarUm beijinho
Isabel, um dia falaremos desse amigo... Um beijo.
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