terça-feira, 14 de agosto de 2012

Ele e ela


Morreu-me um Amigo! Assim, acontece. Cada vez mais, porque eu vou crescendo. 

Este, João Lobo, foi um dos de Itália, leitor em Ravena, onde exercia...

...disse-me ontem a mulher, italiana de Nápoles, que se fora: morrera.

Do coração.

Ficou a viúva, os filhos, a saudade.     

Era um rapaz (nesse tempo, rapaz) bom e bonito.

Lembro-o, quando vinha a Roma, ao bar do Bocaccio, na Piazza Navona.

Ao terceiro copo, confiava:

“Eu também escrevo poesia…”

Agora reli as cartas dele e encontrei obra de alma:

"Devagar caminha pela vinha
e a luz brilha no rosto.
Há fio de prata nos seus olhos
e a boca é carne e mel.

Minha estatueta de oiro e jade,
Meu cavalo branco da manhã!
As tuas pernas são os braços que desejo
os seios o sinal das rosas.

Descalça, pela vinha,
a brisa túnica de sempre,
as mãos abertas
apontam o destino."

João Lobo (1938-2012), da carta que me enviou


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