quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O país abandonado



de um óleo de Dordio Gomes (1890-1976)


“Idêntica e sempre outra”

Idêntica e sempre outra
Lâmpada pla noite fora
Alma de um Povo em sono
Inda a esperança alumia.

Olhar de cima saudoso
Baço espelho de poesia
Entendes na dor do povo
Íntima melancolia?

Teu ciclo cumpre e esconde-te
Pálido vem mais um dia.
Ai vai-te, vai, chora longe
Minha Pátria na agonia.

Arquimede da Silva Santos, in Cantos Cativos

2 comentários:

  1. Caro amigo, Manuel Poppe
    Julgo estarmos ambos de acordo que a função última da Literatura é a Beleza, a Estética, A Arte...Perfilho e não renego esta concepção.Todavia, entendo e, hoje, mais do que nunca, que ela deverá ajudar-nos nos combates em favor do Homem livre de todas as cadeias, sobretudo sociais, económicas... Que bela composição poética, tão simples e ingénua,apesar de melancólica! Que arma de arremesso contra esta corja de materialistas neo-liberais que nos vendem tudo:a Pátria! Vem poesia, escrita nossa,libertar-nos.
    Um abraço
    José Manuel Romana

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  2. A arte -a poesia- é liberdade livre, como diz Ramos Rosa. E aponta, tem toda razão, José Manuel, e estrada real: o caminho certo e ético. Um grande abraço.

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