Um alentejano com um coração do tamanho do mundo
Não me lembro de quando conheci o Mariano, oriundo de Évora: desde sempre o vi em nossa casa, amigo fiel, outro irmão.
Morreu há dias, será cremado sexta-feira, ao fim da manhã, no Cemitério do Alto de São João, em Lisboa.
Com ele, vai-se o que ainda havia de um mundo de ideais, coragem, solidariedade e sonho.
Resto só eu, o mais novo, da família a que Mariano se juntara; participei, também, ocasionalmente, do grupo que se reunia nos saudosos cafés lisboetas Nívea e Cubana, à Avenida da República, da "tertúlia heróica" que se foi desfazendo.
Resto só eu, o mais novo, da família a que Mariano se juntara; participei, também, ocasionalmente, do grupo que se reunia nos saudosos cafés lisboetas Nívea e Cubana, à Avenida da República, da "tertúlia heróica" que se foi desfazendo.
Recordo-o a levar-me às cavalitas para o Estádio Nacional, a ver a selecção; recordo-o, na Guarda, onde me visitou; na casa da Azambuja de meu irmão António, que o trouxera do Liceu Camões, onde estudaram; nas lutas do antes do 25 de Abril; na emoção do 25 de Abril.
Acompanhou o António, quando ministro da agricultura.
Mariano era um socialista verdadeiro que se definia “um das bases”.
Mariano era um socialista verdadeiro que se definia “um das bases”.
De facto, nunca entrou na Assembleia, nem teve nenhum cargo oficial, a partir do momento em que o António se demitiu de ministro do 1º governo constitucional.
Voltou às "bases" -e era por lá que se sentia bem.
Voltou às "bases" -e era por lá que se sentia bem.
Pessoa pura, de imensa generosidade, simples, muito inteligente e sensível, provocava empatias à chegada e fez amigos, pelas cinco partes do mundo.
No Brasil, na Guiné, em Moçambique, nas Américas...
A morte de um Amigo é terrível –porque os amigos somos nós que os escolhemos.
Mariano dizia, muitas vezes:
“É pá!, vemo-nos tão pouco e o tempo passa... e um dia...”
Agora, chegado o dia, nada volta atrás. Fica-me a ferida, cá dentro.

A vida, a distância, o trabalho...mantêm-nos muitas vezes afastados dos que amamos.
ResponderEliminarMas eles estão no coração e aí permanecem mesmo depois de partirem...
Só quando a vida acaba é que compreendemos que ela dura muito pouco tempo...
ResponderEliminarTantos momentos perdidos!
Boa noite, cara Isabel.