quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O amigo que ficou pelo caminho: Domingos Manuel de Brito Mariano


Um alentejano com um coração do tamanho do mundo

Não me lembro de quando conheci o Mariano, oriundo de Évora: desde sempre o vi em nossa casa, amigo fiel, outro irmão.

Morreu há dias, será cremado sexta-feira, ao fim da manhã, no Cemitério do Alto de São João, em Lisboa.

Com ele, vai-se o que ainda havia de um mundo de ideais, coragem, solidariedade e sonho. 


Resto só eu, o mais novo, da família a que Mariano se juntara; participei, também, ocasionalmente, do grupo que se reunia nos saudosos cafés lisboetas Nívea e Cubana, à Avenida da República, da "tertúlia heróica"  que se foi desfazendo.

Recordo-o a levar-me às cavalitas para o Estádio Nacional, a ver a selecção; recordo-o, na Guarda, onde me visitou; na casa da Azambuja de meu irmão António, que o trouxera do Liceu Camões, onde estudaram; nas lutas do antes do 25 de Abril; na emoção do 25 de Abril.

Acompanhou o António, quando ministro da agricultura.


Mariano era um socialista verdadeiro que se definia “um das bases”.

De facto, nunca entrou na Assembleia, nem teve nenhum cargo oficial, a partir do momento em que o António se demitiu de ministro do 1º governo constitucional.


Voltou às "bases" -e era por lá que se sentia bem.

Pessoa pura, de imensa generosidade, simples, muito inteligente e sensível, provocava empatias à chegada e fez amigos, pelas cinco partes do mundo.


No Brasil, na Guiné, em Moçambique, nas Américas...

A morte de um Amigo é terrível –porque os amigos somos nós que os escolhemos.

Mariano dizia, muitas vezes:

“É pá!, vemo-nos tão pouco e o tempo passa... e um dia...”

Agora, chegado o dia, nada volta atrás. Fica-me a ferida, cá dentro.

2 comentários:

  1. A vida, a distância, o trabalho...mantêm-nos muitas vezes afastados dos que amamos.
    Mas eles estão no coração e aí permanecem mesmo depois de partirem...

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  2. Só quando a vida acaba é que compreendemos que ela dura muito pouco tempo...

    Tantos momentos perdidos!

    Boa noite, cara Isabel.

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