Agora anoitece tão cedo –tenho
medo de te perder no escuro.
Lembro-me dos cisnes selvagens
que do lago se erguiam soberanos
iluminando as águas e o céu
do Outono ao fim da tarde.
Também eles se perdem
agora na inclinação da sombra.
Que país será o meu? Este,
onde vivo e sou estrangeiro?
O da luz atravessada
pelos cisnes? Sem ti, como saber?
Eugénio de Andrade in Os Sulcos da Sede, 2001

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