Há muitos anos, na
Papelaria do Sr. Casimiro, isto é, quando eu dava os primeiros passos na
adolescência, topei uma pequena e deliciosa maravilha, Adeus, Mr. Chips, de James Hilton, traduzido -imaginem por quem-
por Erico Veríssimo. A editora? Edições Livros do Brasil, LDA., Lisboa, s.d.
Colecção? Naturalmente, a saudosa e riquíssima Colecção Miniatura à qual devemos uma avalanche de títulos dos melhores
escritores.
A minha reacção foi de
paixão e lágrimas: Mr. Chips é um homem inesquecível –de tal maneira vivo que há que o ter como um homem e
não como personagem.
O romance de Hilton, O Doutor Arrowsmith, de Sinclair Lewis, e
Jean-Cristophe, de Romain Rolland,
eis três livros que marcaram a minha adolescência e juventude.
De facto, folheando, há
dias, um caderno/diário de 1957, reencontrei, mais que uma vez nomeado, Jean-Cristophe; e, quando conheci -um anos
depois- aquela que viria a ser minha mulher, logo vieram à conversa as obras
referidas acima.
O que me tocou em
Hilton, Sinclair Lewis e Rolland?
A fortíssima
humanidade; a capacidade de amar o outro; a generosidade de se oferecerem para
salvar o outro.
Nada mais a acrescentar
porque é tudo –e tudo é muito, é quase impossível; mas, no gesto está o tesouro
do tudo.
Ora sucedeu que Adeus, Mr, Chips desaparecesse da minha
biblioteca; quer dizer: que desaparecesse um mestre.
Sabedora da desgraça,
uma grande amiga, a Fada da preciosa Livraria
Lumière, não perdeu tempo, miracolou:
hoje, a carteira dos ainda existentes CTT trouxe-me de volta a tal pequenina
obra-prima, em excelentíssimo estado (a fotografia acima não reproduz a capa do
volume que chegou hoje).
O armazém da Livraria Lumière provou, mais uma vez, a
sua insondabilidade.
Este fim de Inverno é
triste, acinzentado e chuvoso; a terra de Portugal chora os maus tratos e os
assaltos que a têm rasgado nos últimos três anos; a gente arrasta o peso do
cadáver da alegria assassinada; os ideais emigraram, ou esconderam-se, perante
a analfabetização e desmoralização em curso.
A luz não chega.
Então há que
ressuscitá-la –recuperar o sonho, a utopia, a solidariedade, o amor.
De que maneira?
O caminho é simples,
ainda que coberto de espinhos: o de seguir a lição de Hilton, Sinclair Lewis,
Romain Rolland; o de amar os outros, o que significa respeitar os outros; o de exigir
o direito que todos temos de viver em liberdade e justiça –em igualdade, em
fraternidade.
E o resto…, o resto não
é silêncio; o resto não é senão uma miserável e repugnante caldeira de
sacanismo.
James Hilton
Sinclair Lewis
Romain Rolland




Gostei tanto deste texto!
ResponderEliminarUma bela maneira de lembrar estas obras, das quais só li "Adeus Mr. Chips" e de falar de altruísmo e amizade.
A Fada da Lumière é mesmo...Uma Fada especial!
Um beijinho grande:)
Isabel, esses três escritores tocaram-me muito, estão presentes na minha escolha de vida. Fico muito contente por ter gostado. Sabe, altruísmo, amizade, em suma, espírito, tudo iso tem sido destruído por um sistema desumano. Mas nunca é tarde para reconquistar alma!
ResponderEliminarEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarEstimado Manuel, apenas tento proporcionar aos outros um pouco do prazer que os livros me proporcionam a mim!
ResponderEliminarNo que estiver ao meu alcance...
E, pelos amigos, movo montanhas, se assim for necessário!
Imperdoável, mas ainda não li a obra em questão!
Um beijinho grato.:))