quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Dois livros admiráveis






Norberto Rodrigues publicou, agora, dois livros que traduzem a sensibilidade, a ironia e o talento de fixar, num golpe, as grandes e as pequenas belezas, as doridas pobrezas.

As fotografias de “Trajectos”, um álbum admirável, confirmam o singular artista que ele é, oscilando entre o poético e a crua realidade. Fala da solidão dos homens; do desencontro; da indiferença forçada e da busca de um sentido para o dia-a-dia -esse acumular de instantes cuja verdade se perde no túnel dos movimentos e esbarra na escuridão do infinito que não se revela nem se deixa agarrar. E as legendas que acompanham cada imagem ajudam a que nos aproximemos do quase etéreo.

O tocante livrinho de contos/memórias -“E dos fracos rezam as histórias”- reafirma o dom de captar o essencial, já patente em “Trajectos”, agora com fortes tintas de nostalgia ferida pela crua realidade. Os seus contarelos –e recorro a Irene Lisboa que elegeu esse termo como título de um belo conjunto de historietas-, quase sempre tocam a dura denúncia dos gestos improfícuos; dos gestos e “aventuras” inconsequentes que, no entanto, vencem a inconsequência e o insensato e nunca se transformam em falhanços porque é do humano rebolar na vida vestido de histrião involuntário –e porque é sincera a procura obstinada do modo  se soltar cada um da roupa de histrião e abraçar os sonhos. Há, também, a pureza: a ingenuidade dos que acreditam no maravilhoso escondido nas coisas mais simples e senhoras de um tesouro qualquer.


Eis duas obras que não deveis perder. Impressionaram-me. Aqui te deixo este breve e incompleto apontamento. 

       Norberto Rodrigues

Sem comentários:

Enviar um comentário