A boa companhia...
Ainda às voltas com
Júlio Dinis, e encantado, consulto, agora, um livrinho de Mestre António Sérgio,
As Pupilas do Senhor Reitor, Trechos escolhidos
e apresentados em inserção num resumo da novela, editado pela saudosa
Livraria Sá da Costa, em 1940.
A livraria do Chiado, à esquina,
onde se juntavam personalidades de outros tempos, quando a Brasileira era o que já não é hoje e a Bertrand idem.
Não que o tempo então
fosse mais aberto; bem pelo contrário: era bem apertadinho: sofríamos o regime
do sinistro e medíocre ex-seminarista de Santa Comba.
A alma portuguesa continuava pasmada,
tal qual a denunciou Antero, mas havia quem fizera e fazia coisas a fim de que
se curasse.
E a verdade é que Abel
Manta, revoltado, farto, indignado, me confiou, um dia:
“-Sabe que mais? Isto é um país do
caraças! Um país onde o peido é maior do que o cu!”
Trato, porém,
agora, de Júlio Dinis: descobri, na obrinha de Mestre António Sérgio, este
desabafo, colhido na sua correspondência, já muito doente, como desde cedo
esteve, e a dois anos da morte:
“Há poucos momentos de mais felicidade
para mim, hoje, do que aqueles em que me absorve a atenção a composição de um
romance. Consigo às vezes ver tam distintas as personagens que criei, que
parece-me chegar quási a convencer-me de que elas existem. E com essa gente
dou-me tam bem!”*
E veio-me à
cabeça a solidão de Proust e o mundo maravilhoso, as figuras que ia criando e
recriando e o acarinhavam.
*seguindo António Sérgio, respeito a ortografia de Júlio Dinis
Júlio Dinis: o homem que amava o bem e conhecia o mal

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