domingo, 29 de março de 2015

A pastagem dos ignorantes



Foi no Libération de ontem que encontrei a notícia do novo filme de Tim Burton: Big Eyes, num  excelente artigo de Marcela Iacub, Le malheur des ignorants et des repus.

Ao que parece, a obra já levantou protestos e precipitou críticos de faca afiada.

Não vou demorar-me a enunciar as más -ou boas- línguas.

Transcrevo duas passagens do texto de Marcela Iacub, e depois explico, sucintamente, porquê.

“Em vez de facilitar às pessoas que se enriqueçam intelectualmente, vocês acariciam a sua mediocridade.”

A frase é de uma das personagens de Big Eyes.

Agora, o pensar de Marcela Iacub:

“Os políticos de génio e os grandes artistas fazem-nos sentir paralisados quando nos obrigam a mudar e a reflectir; já os maus [políticos e artistas] nos fazem sentir inteligentes e sábios. Pior ainda: elogiando a nossa mediocridade e a nossa preguiça, condenam-nos à infelicidade dos ignorantes e dos saciados [de barriguinha cheia de banalidades].”

Eis a infelicidade, a preguiça e o conformismo nacional que a comunicação social -Jornais, TVs, Rádios- e uma caterva de políticos, mestres de mediocridade, e uma banda de artistas de botequim, distribuem pelo português comum.

Sejamos honestos: Portugal transformou-se num desgraçado caranguejo: anda para trás.

Lançou-se, a galope, directo aos anos 50.

E, culturalmente, reinstalou o vazio dantesco: do tal Júlio Dantas que obrigou Almada Negreiros a escrever e publicar um infelizmente actualíssimo protesto.

Hoje, cultura, em Portugal é  pim, pam, pum.     


1 comentário:

  1. Isabel, o teu comentário, que li e gostei, não sei por que bula desapareceu. Claro que um filme do Tim Burton tinha de ter alguma coisa boa! Obrigado pela tua sugestão! Bjs.

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