terça-feira, 17 de março de 2015

A corrida de Pablo Picasso


"Les demoiselles d'Avignon", 1907, Pablo Picasso


Pablo Picasso era o oposto de Leonardo Da Vinci.

Esta sua frase ilustra-o:

“Eu não procuro, encontro.”

Não venho dizer que Da Vinci é melhor do que Picasso, ou vice-versa; seria idiota e abordaria uma questão impossível.

No entanto, o que diz Picasso ajuda a entender o drama de Da Vinci, que toda a vida procurou e cedo vislumbrou o seu maior inimigo: a facilidade em fixar um aspecto daquilo que encontrara –e o perigo de o fixar superficialmente, segundo ele.

Isto é, sem conseguir, segundo ele, gravar aquilo que vira na profundidade do quotidiano.

A obsessão da perfeição, isto é, da revelação total do objecto surpreendido, eis o combate de Da Vinci.

Não foi um combate perdido –mas foi um combate que lhe roubou tempo.


O título do post de ontem -“O combate perdido de Leonardo Da Vinci”- foi um lapso; bastaria, aliás, consultar este blogue. 

1 comentário:

  1. Em meu entender a pintura não tem opostos mas diversidade; e o diverso não se opõe, é outra coisa. Tão outra que espanta, admira. E assim se faz notar. Picasso encontrava sem procurar? Não acredito em génio casual.

    Ainda que sem consulta ao blogue: os combates perdidos também contam na história pessoal. E trazem sempre ganhos. Mas em Da Vinci não há combates perdidos que possam suspeitar-se a olho nu.

    Quanto aos dramas, fazem parte da vida não estão aparte. É aguentá-los e já está.

    Cuidado com os lapsos - diz a psicanálise.

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