"Les demoiselles d'Avignon", 1907, Pablo Picasso
Pablo Picasso era o
oposto de Leonardo Da Vinci.
Esta sua frase ilustra-o:
“Eu
não procuro, encontro.”
Não venho dizer que Da
Vinci é melhor do que Picasso, ou vice-versa; seria idiota e abordaria uma
questão impossível.
No entanto, o que diz
Picasso ajuda a entender o drama de Da Vinci, que toda a vida procurou e cedo vislumbrou o seu maior
inimigo: a facilidade em fixar um aspecto daquilo que encontrara –e o perigo de
o fixar superficialmente, segundo ele.
Isto é, sem conseguir,
segundo ele, gravar aquilo que vira na
profundidade do quotidiano.
A obsessão da
perfeição, isto é, da revelação total do objecto surpreendido, eis o combate de
Da Vinci.
Não foi um combate
perdido –mas foi um combate que lhe roubou tempo.
O título do post de
ontem -“O combate perdido de Leonardo Da Vinci”- foi um lapso; bastaria, aliás,
consultar este blogue.

Em meu entender a pintura não tem opostos mas diversidade; e o diverso não se opõe, é outra coisa. Tão outra que espanta, admira. E assim se faz notar. Picasso encontrava sem procurar? Não acredito em génio casual.
ResponderEliminarAinda que sem consulta ao blogue: os combates perdidos também contam na história pessoal. E trazem sempre ganhos. Mas em Da Vinci não há combates perdidos que possam suspeitar-se a olho nu.
Quanto aos dramas, fazem parte da vida não estão aparte. É aguentá-los e já está.
Cuidado com os lapsos - diz a psicanálise.