Foi no Libération de ontem que encontrei a notícia
do novo filme de Tim Burton: Big Eyes, num
excelente artigo de Marcela Iacub, Le malheur des ignorants et des repus.
Ao que parece, a obra
já levantou protestos e precipitou críticos de faca afiada.
Não vou demorar-me a
enunciar as más -ou boas- línguas.
Transcrevo duas
passagens do texto de Marcela Iacub, e depois explico, sucintamente, porquê.
“Em
vez de facilitar às pessoas que se enriqueçam intelectualmente, vocês acariciam
a sua mediocridade.”
A frase é de uma das
personagens de Big Eyes.
Agora, o pensar de
Marcela Iacub:
“Os
políticos de génio e os grandes artistas fazem-nos sentir paralisados quando
nos obrigam a mudar e a reflectir; já os maus [políticos
e artistas] nos fazem sentir inteligentes
e sábios. Pior ainda: elogiando a nossa mediocridade e a nossa preguiça, condenam-nos
à infelicidade dos ignorantes e dos saciados [de barriguinha cheia de
banalidades].”
Eis a infelicidade,
a preguiça e o conformismo nacional que a comunicação social -Jornais, TVs,
Rádios- e uma caterva de políticos, mestres de mediocridade, e uma banda de artistas de botequim, distribuem pelo
português comum.
Sejamos honestos:
Portugal transformou-se num desgraçado caranguejo: anda para trás.
Lançou-se, a galope,
directo aos anos 50.
E, culturalmente,
reinstalou o vazio dantesco: do tal Júlio Dantas que obrigou Almada Negreiros a
escrever e publicar um infelizmente actualíssimo protesto.
Hoje, cultura, em
Portugal é pim, pam, pum.

Isabel, o teu comentário, que li e gostei, não sei por que bula desapareceu. Claro que um filme do Tim Burton tinha de ter alguma coisa boa! Obrigado pela tua sugestão! Bjs.
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