quarta-feira, 11 de março de 2015

Eugénio de Andrade e a verdade de cada um




Eugénio de Andrade, por José Rodrigues


Em pasta velha com velhos papéis, encontrei um artigo meu, Eugénio de Andrade, publicado no jornal do Colégio Moderno, Gente Moça, Série II, nº 18, Janeiro-Fevereiro de 1958.

E 57 anos passados, resolvi transcrever as palavras que o encerram, pois que as voltaria a escrever hoje:

“Deixem-me (…) pedir-lhes ainda uma coisa: antes de procurarem, assustados, saber se ele é um lírico, um simbolista ou um surrealista, tentem ouvir a voz do poeta Eugénio de Andrade -mas a sua própria voz!- e o que ele diz de si, do mais verdadeiro da sua verdade… é isso que importa. E não se aflijam com as tendências da época. O verdadeiro artista não tem época, é de sempre. Que cada um procure o que tem a dizer e não pense em mais nada. Só o que for mesmo nosso tem valor e poderá interessar, ou não interessar, aos homens, Não é a pensar nos outros que se cria, mas sim em nós próprios; só nos damos aos outros na medida em que formos fiéis a nós próprios e nos dermos às nossas inclinações. Mas isto é outra conversa.”

Juntei ao artigo cinco poesias do poeta; escolhi a que segue:

Viagem

Iremos juntos separados,
as palavras mordidas uma a uma,
taciturnas, cintilantes,
-ó meu amor, constelação de bruma!
ombro dos meus ombros hesitantes!
Esquecidos, lembrados, repetidos
na boca dos amantes que se amam
no alto dos navios;
no rastro dos peixes luminosos,
afogados na voz dos marinheiros.

in As Palavras Interditas


Ao tempo, eu era mais ou menos assim...

8 comentários:

  1. Gostei de ler.

    A foto...um verdadeiro galã! Muito bonita:)

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  2. Acho-o lindo (como as meninas da época terão achado).

    Eugénio da minha paixão; palavras como as dele não existem, ele as marcou com seu traço largo e luminoso para que as não percamos no caminho. Que nos são seda refrescante.
    Bem haja

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  3. Isabel, os anos que passaram! No fim e ao cabo, eu era mais um romântico que nunca o deixou de ser. Nathan Zach, em Telavive, na apresentação d'A Mulher Nua, traduzida para o hebraico, foi peremptório: "És o último romântico!" Serei?

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  4. Bea, o adolescente da foto agradece-lhe muito e pede-me que lhe diga que andava, apaixonado, a ler "Werther", de Goethe. Quanto a E de A, ele deslumbrou esse adolescente -também isso me pediu que lhe dissesse. Um grande abraço.

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  5. Bea, o adolescente da foto agradece-lhe muito e pede-me que lhe diga que andava, apaixonado, a ler "Werther", de Goethe. Quanto a E de A, ele deslumbrou esse adolescente -também isso me pediu que lhe dissesse. Um grande abraço.

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  6. Bolas. Eu na adolescência só lia os livros da Gulbenkian itinerante. Ainda hoje não li "Werther" e muito pouco de Goethe. Mas pode ser que lá chegue. Um dia. Sem pressas. Que o que não se faz feito está:)

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  7. bea, ainda tem imenso tempo à sua frente! "Werther" é um clássico romântico.

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  8. bea, ainda tem imenso tempo à sua frente! "Werther" é um clássico romântico.

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