Em pasta velha com velhos papéis, encontrei um artigo meu, Eugénio de Andrade, publicado no jornal do Colégio Moderno, Gente Moça, Série II, nº 18, Janeiro-Fevereiro de 1958.
E 57 anos passados,
resolvi transcrever as palavras que o encerram, pois que as voltaria a escrever
hoje:
“Deixem-me
(…) pedir-lhes ainda uma coisa: antes de procurarem, assustados, saber se ele é
um lírico, um simbolista ou um surrealista, tentem ouvir a voz do poeta Eugénio
de Andrade -mas a sua própria voz!- e o que ele diz de si, do mais verdadeiro
da sua verdade… é isso que importa. E não se aflijam com as tendências da
época. O verdadeiro artista não tem época, é de sempre. Que cada um procure o
que tem a dizer e não pense em mais nada. Só o que for mesmo nosso tem valor e
poderá interessar, ou não interessar, aos homens, Não é a pensar nos outros que
se cria, mas sim em nós próprios; só nos damos aos outros na medida em que
formos fiéis a nós próprios e nos dermos às nossas inclinações. Mas isto é
outra conversa.”
Juntei ao artigo cinco
poesias do poeta; escolhi a que segue:
Viagem
Iremos juntos separados,
as
palavras mordidas uma a uma,
taciturnas,
cintilantes,
-ó
meu amor, constelação de bruma!
ombro
dos meus ombros hesitantes!
Esquecidos,
lembrados, repetidos
na
boca dos amantes que se amam
no
alto dos navios;
no
rastro dos peixes luminosos,
afogados
na voz dos marinheiros.


Gostei de ler.
ResponderEliminarA foto...um verdadeiro galã! Muito bonita:)
Acho-o lindo (como as meninas da época terão achado).
ResponderEliminarEugénio da minha paixão; palavras como as dele não existem, ele as marcou com seu traço largo e luminoso para que as não percamos no caminho. Que nos são seda refrescante.
Bem haja
Isabel, os anos que passaram! No fim e ao cabo, eu era mais um romântico que nunca o deixou de ser. Nathan Zach, em Telavive, na apresentação d'A Mulher Nua, traduzida para o hebraico, foi peremptório: "És o último romântico!" Serei?
ResponderEliminarBea, o adolescente da foto agradece-lhe muito e pede-me que lhe diga que andava, apaixonado, a ler "Werther", de Goethe. Quanto a E de A, ele deslumbrou esse adolescente -também isso me pediu que lhe dissesse. Um grande abraço.
ResponderEliminarBea, o adolescente da foto agradece-lhe muito e pede-me que lhe diga que andava, apaixonado, a ler "Werther", de Goethe. Quanto a E de A, ele deslumbrou esse adolescente -também isso me pediu que lhe dissesse. Um grande abraço.
ResponderEliminarBolas. Eu na adolescência só lia os livros da Gulbenkian itinerante. Ainda hoje não li "Werther" e muito pouco de Goethe. Mas pode ser que lá chegue. Um dia. Sem pressas. Que o que não se faz feito está:)
ResponderEliminarbea, ainda tem imenso tempo à sua frente! "Werther" é um clássico romântico.
ResponderEliminarbea, ainda tem imenso tempo à sua frente! "Werther" é um clássico romântico.
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