Teresa, no convento
Mariana e Simão Botelho, na cadeia da Relação do Porto
(Imagens do filme "Amor de Perdição", de Georges Pallu, a primeira adaptação cinematográfica do romance de Camilo Castelo Branco, estreada, no cinema Olympia, do Porto, no dia 8 de Novembro de 1921)
(Imagens do filme "Amor de Perdição", de Georges Pallu, a primeira adaptação cinematográfica do romance de Camilo Castelo Branco, estreada, no cinema Olympia, do Porto, no dia 8 de Novembro de 1921)
“Pode-se, aliás perguntar se a inteligência crítica (…) chegaria para transpor todos os obstáculos -circunstanciais exteriores ou íntimos ou pessoais- e atingir o seu âmago, valorar justamente, apreender a sua originalidade e complexidade, o génio do nosso maior escritor de ficção.
(…)
E
eis outra das grandes razões pelas quais a obra de Camilo se impõe como criação
representativamente nacional: o seu sentimentalismo. (…) já os estrangeiros têm
reconhecido -e aceitado, parece- que o português é profundamente sentimental. O
jogo dos sentimentos -jogado até com involuntária sinceridade- é jogo seu
predilecto. Borbulham mares de lágrimas na nossa literatura. O fado, canção
sentimental que disso mesmo vive, toca não só a alma dos simples ou incultos,
rudes ou até depravados, como, em certos recessos conservados primitivos, a de
muitos dos nossos chamados intelectuais. As canções que pelas feiras se cantam,
os folhetos que se espalham de redor dos cantadores de olhos amauróticos ou
extáticos –a propósito de crimes, desgraças, monstruosidades, não fazem senão
explorar a sentimentalidade dos ouvintes; porque o português é não só
sentimental como explorador do seu próprio sentimentalismo.”
José Régio in Ensaios de Interpretação Crítica, Portugália
Editora, 1964
“(…)
se, por virtude da metempsicose, eu reaparecer na sociedade do século XXI, talvez
me regozije de ver outra vez as lágrimas em moda nos braços da retórica, e esta
quinta edição do Amor de Perdição quase esgotada.”



o romeu e julieta que não temos em teatro, temos em romance, "o amor de perdição", sempre pensei que essas histórias tragicas de amor que mata ocupavam o mesmo lugar, cada uma em sua literatura.
ResponderEliminartodos os personagens são perfeitos, a mim impressiona-me em especial o de mariana, não sei se a mais mulher das mulheres da literatura portuguesa.
mas o amor de perdição tambem consegue ter bom humor como nesta passagem:
"A distância duma légua de Vila-Real estava a nobreza da vila esperando o
seu conterrâneo. Cada família tinha a sua liteira com o brasão da casa. A dos
Correias de Mesquita era a mais antiquada no feitio, e as librés dos criados as mais
surradas e traçadas que figuravam na comitiva.
D. Rita, avistando o préstito das liteiras, ajustou ao olho direito a sua grande
luneta de oiro, e disse:
— Ó Meneses, aquilo que é?
— São os nossos amigos e parentes que vêm esperar-nos.
— Em que século estamos nós nesta montanha? — tornou dama do paço.
— Em que século?! O século tanto é dezoito aqui como em Lisboa.
— Ah! sim? Cuidei que o tempo parara aqui no século doze..."
Um livro para ler ou reler, bem que se assinala aqui o seu aniversário.
É evidente que Mariana é o símbolo do amor português.
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