"Cantigas, Para Minha Mãe No dia dos seus anos, José Maria dos Reis Pereira, 6 de Junho de 1925"
O nº 4-5,
Junho-Dezembro de 1999, boletim do
Centro de estudos regianos, editado pela Câmara Municipal de Vila do Conde,
intitula-se Trinta Anos, José Régio
(1901-1969) e apensa o caderninho cuja capa reproduzo acima.
Aqui te deixo as seis
quadras manuscritas que o poeta de Cântico
Negro ofereceu a sua mãe:
1.
Ser poeta é achar
deleite
Nas suas próprias feridas.
Ai dos seios que* dão
leite
As bocas tão iludidas!
2.
Que o filho lhe mal
pagava
Queixou-se-me certa
mãe.
-Nem a vida lhes
chegava,
Se os filhos pagassem
bem!...
3.
Quem tem um filho
apartado,
Sofre com dois
corações:
Um, tem-no em si bem
fechado;
Outro… lá longe aos
baldões.
4.
Se me lembro de morrer,
Certa voz me apazigua:
Ouço minha mãe dizer:
“-Essa vida não é tua…”
5.
Cria uma mãe seu
menino:
Cresceu… seguiu novos
trilhos.
-E é para êsse destino
Que as mães dão azas
aos filhos!
6.
Minha mãe, se eu te
perder,
Farei de branco o meu
luto:
Que é Santa toda a
mulher
Que dá poetas por
fruto!
Coimbra, 1925
*no original manuscrito,
Régio coloca um til sobre a letra q; o meu computador esquivou-se a fazê-lo.


São lindas as quadras(já conhecia) de um grande poeta. Gosto especialmente da quinta.
ResponderEliminarUm beijinho
Isabel, a quadra que prefere é das mais fortes, talvez, dolorosa. Boa noite e uma boa semana. Um grande abraço.
ResponderEliminarboa opçao para partilha....
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