E agora? Coelho vai dizer que se lixa para cartas, mesmo identificadas?
Perante estes factos, os signatários interpretam – e justamente – o crescente clamor que contra o Governo se ergue, como uma exigência, para que o Senhor Primeiro-Ministro altere, urgentemente, as opções políticas que vem
Lisboa, 29 de Novembro de 2012
A CARTA:
"Exmo. Senhor
Primeiro-Ministro,
Os signatários estão
muito preocupados com as consequências da
política seguida pelo
Governo.
À data das últimas
eleições legislativas já estava em vigor
o Memorando de
Entendimento com a Troika, de que foram também outorgantes os líderes dos dois
Partidos que hoje fazem parte da Coligação governamental.
O País foi então
inventariado à exaustão. Nenhum candidato à liderança do Governo
podia invocar desconhecimento sobre a
situação existente.
O Programa
eleitoral sufragado pelos Portugueses e o Programa de Governo aprovado na
Assembleia da República, foram em muito excedidos coma política que se
passou a aplicar. As consequências das medidas não anunciadas têm um
impacto gravíssimo sobre os Portugueses e há uma contradição, nunca
antes vista, entre o que foi prometido e o que está a ser levado à prática.
Os eleitores foram
intencionalmente defraudados. Nenhuma circunstância
conjuntural pode justificar o embuste.
Daí também a rejeição
que de norte a sul do País existe contra o Governo. O caso não é
para menos. Este clamor é fundamentado no interesse nacional e na
necessidade imperiosa de se recriar a esperança no futuro. O Governo não hesita
porém em afirmar, contra ventos e marés, que prosseguirá esta política - custe o
que custar - e até recusa qualquer ideia da renegociação do Memorando.
Ao embuste, sustentado
no cumprimento cego da austeridade queempobrece o País e é
levado a efeito a qualquer preço, soma-se o desmantelamento de
funções essenciais do Estado e a alienação imponderada de empresas
estratégicas, os cortes impiedosos nas
pensões e nas reformasdos que descontaram
para a Segurança Social uma vida inteira, confiando no Estado, as reduções dos
salários que não poupam sequer os mais baixos, o incentivo à emigração,
o crescimento do desemprego com níveis incomportáveis e a
postura de seguidismo e capitulação à lógica neoliberal dos mercados.
Perdeu-se toda e qualquer esperança.
No meio deste vendaval,
as previsões que o Governo temapresentado quanto ao
PIB, ao emprego, ao consumo, ao
investimento, ao défice, à dívida
pública e ao mais que se sabe, têm sido, porque erróneas, reiteradamente revistas
em baixa.
O Governo, num
fanatismo cego que recusa a evidência, está a fazer caminhar o País
para o abismo.
A recente aprovação de
um Orçamento de Estado iníquo, injusto, socialmente condenável,
que não será cumprido e que aprofundará em 2013 a recessão, é de uma
enorme gravidade, para além de conter disposições de
duvidosa
constitucionalidade. O agravamento incomportável da situação social, económica, financeira e
política, será uma realidade se não se puser termo à política seguida.
Perante estes factos, os signatários interpretam – e justamente – o crescente clamor que contra o Governo se ergue, como uma exigência, para que o Senhor Primeiro-Ministro altere, urgentemente, as opções políticas que vem
seguindo, sob pena de,
pelo interesse nacional, ser seu dever retirar as consequências políticas
que se impõem, apresentando a demissão ao Senhor
Presidente da
República, poupando assim o País e os Portugueses ainda a mais graves e imprevisíveis
consequências.
É indispensável mudar de política para que os
Portugueses retomem confiança e
esperança no futuro.
PS: da presente os
signatários darão conhecimento ao Senhor Presidente da República.
Lisboa, 29 de Novembro de 2012
MÁRIO SOARES
ADELINO MALTEZ (Professor Universitário-Lisboa)
ALFREDO BRUTO DA COSTA
(Sociólogo)ALICE VIEIRA (Escritora)
ÁLVARO SIZA VIEIRA
(Arquiteto)
AMÉRICO FIGUEIREDO
(Médico)
ANA PAULA ARNAUT
(Professora Universitária-Coimbra)
ANA SOUSA DIAS
(Jornalista)
ANDRÉ LETRIA
(Ilustrador)
ANTERO RIBEIRO DA SILVA
(Militar Reformado)
ANTÓNIO ARNAUT
(Advogado)
ANTÓNIO BAPTISTA BASTOS
(Jornalista e Escritor)
ANTÓNIO DIAS DA CUNHA
(Empresário)
ANTÓNIO PIRES VELOSO
(Militar Reformado)
ANTÓNIO REIS (Professor
Universitário-Lisboa)
ARTUR PITA ALVES
(Militar reformado)
BOAVENTURA SOUSA SANTOS
(Professor Universitário-Coimbra)
CARLOS ANDRÉ (Professor
Universitário-Coimbra)
CARLOS SÁ FURTADO
(Professor Universitário-Coimbra)
CARLOS TRINDADE
(Sindicalista)
CESÁRIO BORGA
(Jornalista)
CIPRIANO JUSTO (Médico)
CLARA FERREIRA ALVES
(Jornalista e Escritora)
CONSTANTINO ALVES
(Sacerdote)
CORÁLIA VICENTE
(Professora Universitária-Porto)
DANIEL OLIVEIRA
(Jornalista) DUARTE CORDEIRO (Deputado)
EDUARDO FERRO RODRIGUES
(Deputado)
EDUARDO LOURENÇO (Professor
Universitário)
EUGÉNIO FERREIRA ALVES
(Jornalista)
FERNANDO GOMES
(Sindicalista)
FERNANDO ROSAS
(Professor Universitário-Lisboa)
FERNANDO TORDO (Músico)
FRANCISCO SIMÕES
(Escultor)
FREI BENTO DOMINGUES
(Teólogo)
HELENA PINTO (Deputada)
HENRIQUE BOTELHO
(Médico)
INES DE MEDEIROS
(Deputada)
INÊS PEDROSA
(Escritora)
JAIME RAMOS (Médico)
JOANA AMARAL DIAS
(Professora Universitária-Lisboa)
JOÃO CUTILEIRO
(Escultor)
JOÃO FERREIRA DO AMARAL
(Professor Universitário-Lisboa)
JOÃO GALAMBA (Deputado)
JOÃO TORRES
(Secretário-Geral da Juventude Socialista)
JOSÉ BARATA-MOURA
(Professor Universitário-Lisboa)
JOSÉ DE FARIA COSTA
(Professor Universitário-Coimbra)
JOSÉ JORGE LETRIA
(Escritor)
JOSÉ LEMOS FERREIRA
(Militar Reformado)JOSÉ MEDEIROS FERREIRA (Professor Universitário-Lisboa)
JÚLIO POMAR
(Pintor)
LÍDIA JORGE (Escritora)
LUÍS REIS TORGAL
(Professor Universitário-Coimbra)
MANUEL CARVALHO DA
SILVA (Professor Universitário-Lisboa)
MANUEL DA SILVA
(Sindicalista)
MANUEL MARIA CARRILHO
(Professor Universitário)
MANUEL MONGE (Militar
Reformado)
MANUELA MORGADO
(Economista)
MARGARIDA LAGARTO
(Pintora)
MARIA BELO
(Psicanalista)
MARIA DE MEDEIROS
(Realizadora de Cinema e Atriz)
MARIA TERESA HORTA
(Escritora)
MÁRIO JORGE NEVES
(Médico)
MIGUEL OLIVEIRA DA
SILVA (Professor Universitário-Lisboa)
NUNO ARTUR SILVA (Autor
e Produtor)
ÓSCAR ANTUNES
(Sindicalista)
PAULO MORAIS (Professor
Universitário-Porto)
PEDRO ABRUNHOSA
(Músico)
PEDRO BACELAR
VASCONCELOS (Professor Universitário-Braga)
PEDRO DELGADO ALVES
(Deputado)
PEDRO NUNO SANTOS
(Deputado)
PILAR DEL RIO SARAMAGO
(Jornalista) SÉRGIO MONTE (Sindicalista)
TERESA PIZARRO BELEZA
(Professora Universitária-Lisboa)
TERESA VILLAVERDE
(Realizadora de Cinema)
VALTER HUGO MÃE
(Escritor)
VITOR HUGO SEQUEIRA
(Sindicalista)
VITOR RAMALHO (Jurista)
- que assina por si e em representação de todos os signatários)

Sigo com muita atenção o desenrolar dos acontecimentos mas penso que vão estar tapados os olhos dos receptores.
ResponderEliminarEstou a tentar comentar no Falcão de Jade consegui à segunda tentativa.
Beijinho.
Será que ele sabe ler?!
ResponderEliminarOu pode acontecer a carta se extraviar...
Beijinhos.:))
Ana e Cláudia, isto vai de mal a pior, e, quanto aos que "não sabem ler", a desgraça é que os nossos carrascos perderam o sentido da orientação e disparam ao acaso... Bom fim de semana!
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