sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A mudança


"Tempestade", 1823, óleo de William Turner


Era o melhor dos tempos e era o pior dos tempos, a idade da sabedoria e a idade da loucura; a idade da fé e a idade da descrença; era a época da Luz e a época das trevas, a primavera da esperança e o inverno do desespero; tínhamos tudo à nossa frente e não tínhamos nada à nossa frente; caminhávamos direitos ao céu, caminhávamos direitos ao lugar oposto...”

Charles Dickens, in A história de duas cidades

Esse é, afinal, o nosso tempo.

De contradições, amor e ódio, crime e sede de justiça.

O tempo da venda das almas e do choro das almas, da traição e da fidelidade.

Da coragem e da covardia.

Da esperança e do desespero.

O tempo de crise.

Por isso, o tempo criador, em que se abrirão portas e tudo mudará.

Um tempo de naufrágio.

Um tempo de ressurreição.

O tempo da catarse.   

2 comentários:

  1. Belíssimo trecho de Dickens, querido amigo!
    Começaria mesmo por esse romance e por essas palavras, se não tivesse lido nada de Dickens.
    Foi o que disse há dias a um casal simpático com quem conversei sobre o "divino Dickens", como dizia Eça.
    Palavras que são um poema e o retrato de uma realidade que tanto é do século XIX como do século XXI.
    Grande abraço.

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