quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Um escritor com muito talento



Havia uma colecção que eu não deixava escapar: a Vampiro, das edições “Livros do Brasil”. A pronto ou a crédito, a prestações, era dinheiro que ia buscar à minha semanada. Nos anos 50, na Guarda, na saudosa Papelaria do sr. Casimiro, onde se encontrava a melhor literatura.

Aqueles pertenciam à categoria dos “policiais” e lá me deliciava com Agatha Christie, Erle Stanley Gardner, Hartley Howard (A Carta Fechada, por exemplo)... Através da Vampiro cheguei, aliás, a um Mestre e apaixonante com o seu comissário Maigret, um dos grandes romancistas do século XX: Georges Simenon.

Depois, através de outra estupenda colecção, a Miniatura, sempre dos “Livros do Brasil”, aprendi a amar outros Mestres, Gide, Thomas Mann, Hemingway, Steinbeck..., que passaram a interessar-me muito mais.

E devo recordar uma breve colecção de bolso, exemplar na escolha de autores: “os livros das três abelhas”, dirigida por Victor Palla e Aurélio Cruz; ali deparei com um escritor português admirável: Manuel da Fonseca e o seu maravilhoso O Fogo e as Cinzas.

Agora, há pouco, alguém me chamou a atenção para um escritor policial (de espionagem), de quem devorei dois livros, em poucos dias: Daniel Silva, um judeu português, educado por açorianos... nos Estados Unidos, hoje, um best-seller.

Talvez superior a John Le Carré.

Porque me prendeu e empolgou? Porque é um excelente construtor de romances; um exímio criador de “suspense“; um dotado ficcionista: capaz de tornar vivas figuras que nunca existiram e cujo destino passamos a partilhar.

Acrescenta-se não serem as suas obras mundos desesperados: tudo ter uma saída que envolve valores de justiça.

A vida poderia não ser um inferno e há quem lute por isso: eis o que nos diz.

Comecei por O Assassino Inglês e terminei anteontem O Caso Rembrandt, obra-prima do género.

Lê: vale a pena. Daniel Silva junta à habilidade narrativa uma sólida cultura e conhecimento do mundo em que vivemos e esperneamos.

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