Aqui desperta o espírito de cada um: na escola do ensino básico...
Antes que surjam as críticas propositadas e vazias:
Não é por ser o Emirado do Qatar excepcionalmente rico que os seus governantes tanto se ocupam da educação: é porque ela é fundamental para o verdadeiro enriquecimento e desenvolvimento do país.
Portugal há muitos séculos que é um país pobre.
Exactamente porque nunca deu a primazia à Cultura.
Isso mesmo quando, materialmente, era um país rico: quando do comércio marítimo das especiarias, das minas de oiro, no Brasil... etc.
Assim se explica a vaga de emigrações de cérebros, ao longo dos tempos.
Aliás, não é indispensável a grande riqueza para... prezar e desenvolver a Cultura.
Basta que se empregue bem o pouco dinheiro que houver.
Ainda há duas décadas, e durante o longo governo de Cavaco como primeiro-ministro, a EU nos enviou milhões de euros cujo destino exacto continua desconhecido e os benefícios, nenhures.
Não é essencial para a Cultura a abertura de milhares de quilómetros de auto-estradas; a construção frenética de imóveis que destruíram regiões, cidades e paisagens; a multiplicação de fontes de atracção turística, investindo em resorts, hóteis e campos de golfo e em uma fonte de receita obviamente volátil...
Não ajuda a Cultura, o Ensino, a Investigação Científica, sangrar a classe dos professores, reduzir o seu número, aumentar escandalosamente os horários de trabalho que, em muitíssimos aspectos, impõem actividades que nada têm de docentes; sangrar o ensino público e proteger o privado ao qual cada vez menos portugueses têm acesso...
Não é preciso Portugal ser milionário como o Qatar, rico ou muito rico como outros países do mundo, para fugir à secular condenação a ser um país inculto e atrasado.
O bom uso dos dinheiros públicos, eis a questão.

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