O pão e o paupor Manuel António Pina
A propósito dos sacrifícios que o Governo vem impondo a trabalhadores, pensionistas, pobres e desempregados, Francisco Van Zeller, ex-patrão dos patrões, manifestou-se certo de que (disse-lho um passarinho) "não podemos evitar que haja manifestações na rua".
Se não "éramos um povo de molengas". "Já viu o ridículo que era este povo aceitar os sacrifícios e não ir para a rua, não fazer um desfile?" "Parecíamos parvos ou mortos."
Passos Coelho parece ter a mesma opinião e não acreditar que o Ministério da Caridade, por mais movimentos nacionais femininos que crie, resolva o assunto. Por isso, falando em Campo Maior no encerramento da "Festa do povo", deixou um solene aviso ao dito povo: "Pode haver quem se entusiasme com as redes sociais e com aquilo que vê lá fora, esperando trazer o tumulto para as ruas de Portugal", mas esses descobrirão "que também sabemos decidir".
Passos Coelho parece ter a mesma opinião e não acreditar que o Ministério da Caridade, por mais movimentos nacionais femininos que crie, resolva o assunto. Por isso, falando em Campo Maior no encerramento da "Festa do povo", deixou um solene aviso ao dito povo: "Pode haver quem se entusiasme com as redes sociais e com aquilo que vê lá fora, esperando trazer o tumulto para as ruas de Portugal", mas esses descobrirão "que também sabemos decidir".
E não foi preciso esperar muito para o ver "decidir": no Orçamento para 2012, o Ministério das polícias (vulgo da Administração Interna) é o único que, além de não sofrer cortes, será ainda reforçado com mais 400 milhões de euros. Parece, pois, que é com mais polícias e mais dinheiro para as polícias, que o Governo pensa resolver o problema de (citando fonte do executivo) "mais desemprego, mais carências e menos prestações sociais".
O povo é pobre e mal agradecido, sobretudo se lhe tiram o pão e, por isso, o melhor é preparar o pau.
transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de hoje
Ando há dias para escrever um post sobre este assunto, mas dá-me tanto asco que nem consigo. Que merda de País é este!? Parece que os tiques ditatorias andam entre nós. Bem dizia a M.F. Leite que se havia se suspender a democracia. Nem sei que pensar. Não há dinheiro para investir nas pessoas, mas há para investir nos bancos e na repressão das pessoas...
ResponderEliminarAbraço.