"...quando um justo deixa a cidade, a beleza da cidade parte com ele. A luz do justo é a beleza e a luz da cidade."Rui Polónio Sampaio
Por Manuel António Pina
Noutro tempo e noutro lugar que não os nossos, a morte de Rui Polónio Sampaio não passaria desapercebida pois o desaparecimento de homens com a sua estatura moral deixa o país (o país que sabe o que isso significa) se possível ainda mais pobre e mais doente. A informação chegou-me por Germano Silva que deu, por acaso, com um pequeno anúncio necrológico num jornal e me telefonou dizendo: "A sua morte não foi notícia porque ele era um mau exemplo, o exemplo de um homem íntegro". Se os cabalistas têm razão e o peso moral do Mundo assenta sobre os ombros de alguns justos existindo no meio de nós sem que os reconheçamos e sem que eles próprios saibam de si, Rui Polónio Sampaio foi provavelmente um deles. Na Net, habitualmente tão prolífica, a sua existência resume-se a duas ou três entradas acerca da sua passagem pela UEDS (União da Esquerda para a Democracia Socialista) em finais dos anos 70 e à notícia de que traduziu uma peça de Molière. Pelos vistos, cumpriu discretamente a sua missão, tocando de forma indelével todos aqueles que, como eu, de si se aproximaram, e partiu como chegou: inteiro.
Transcrito, com a devida vénia, de Jornal de Notícias, 28/12/09
É bem verdade: quando um justo deixa a cidade, ela fica às escuras...
ResponderEliminarMas um justo não é esquecido nunca!
Talvez deixe uma luzinha, uma vela, quem sabe?
E a gente vê... E sente-se menos sozinha...
Pode ser,agora que partiu,seja honrado,com o comportamento de alguns.
ResponderEliminarNão gosto de lembrar a morte,não é preciso,honremos a vida que fica.
Cordial abraço,
mário