...consentimos num mundo sem pés nem cabeça...O PROBLEMA DO CLIMA E A ESPINHA CURVADA DOS QUE NÃO SE OPÕEM AO ROUBO DA NATUREZA E DA BELEZA...
...é, antes de mais, o problema do clima social em que vivemos. Nós todos somos responsáveis? Certamente. Talvez, acima de tudo, por havermos permitido que se formasse e desenvolvesse -e de que maneira se desenvolve!- esta sociedade mercantil e consumista- Ela é só isso e mais nada: produzir, colocar no mercado, fazer com que o produto se venda. O produto é mais importante do que o homem. O crime em curso -a destruição da Terra- está intimamente ligado ao novo Bezerro de Ouro: o produto. Abraçado a ele, gira o lucro, ferve a concorrência, alarga-se a globalização da monopolização. Eis as palavras, os chavões (mercado, concorrência, produto, lucro) que me repugnam (revoltam) e matraqueiam o cidadão comum e o convertem num suicida inconsciente, saqueador do ambiente. O cidadão comum alimenta o mercado –e alimenta-o convicto de comprar a felicidade. Para o conseguir, aceita a nova escravatura: o emprego a prazo, o horário sufocante, os gritos do capataz que lhe exige que... produza. De homem não tem nada; de neo-objecto tem tudo. Alguma vez, para arejar o mundo, quem nos explora sacrificará algum negócio?
Andrea Zanzotto, poeta italiano, amante do espaço livre e da paz dos arredores de Treviso, ouvido acerca de Copenhaga e das habituais cimeiras que tratam o ambiente, comentou: “Hoje todos parecem dominados pelo fascínio do auto-engano”. E acertou em cheio: o modo do cidadão sobreviver ao massacre quotidiano é iludir-se, convencer-se de que a vida começa e acaba no produto: carro, telemóvel, internet, resorts, sexo fast food. Enterra-se a si próprio, esquece dignidade, individualidade, alma.
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