
Que um oficial (miliciano ou não), nos tempos da guerra colonial, tenha sido preso, acusado do crime de ler um poema de José Régio e condenado por isso -é digno de meditação.
(ler o comentário de Trepadeira, ao post 'José Régio, João Villaret e Cântico Negro')
O oficial e, hoje, responsável pelo blog Trepadeira; o poema, Cântico Negro; o lugar onde o crime aconteceu, a Guiné.
Qual crime? Qual o verdadeiro crime?
O crime foi de quem decidiu prender o oficial amante da boa poesia que incomoda (porque toda a boa poesia incomoda os conformados) -seguindo a mentalidade ultra-reaccionária do salazarismo.
E ironia é ser objecto da indignação dos fiéis ao regime salazarista que mandaram prender o oficial... um poema do poeta José Régio, acusado por Álvaro Cunhal secretario-geral do PCP, de umbiguismo e, pelos seguidores do "realismo socialista", de egotista pequeno-burguês...
Afinal quem é que revoluciona, quem é que inquieta e incomoda -profunda, verdadeiramente?
Moral (possível): a arte verdadeiramente revolucionaria é aquela que é viva, é arte livre de liberdade livre.
Ainda hoje, Cântico Negro há-de parecer revolucionário a muita gente: da extrema direita à extrema esquerda...
Leiam-no... ou façam o favor de o ouvir, na voz de Villaret, que consta do post que referi.
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