sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A força revolucionária da poesia de José Régio





Que um oficial (miliciano ou não), nos tempos da guerra colonial, tenha sido preso, acusado do crime de ler um poema de José Régio e condenado por isso -é digno de meditação.


(ler o comentário de Trepadeira, ao post 'José Régio, João Villaret e Cântico Negro')


O oficial e, hoje, responsável pelo blog Trepadeira; o poema, Cântico Negro; o lugar onde o crime aconteceu, a Guiné.


Qual crime? Qual o verdadeiro crime?


O crime foi de quem decidiu prender o oficial amante da boa poesia que incomoda (porque toda a boa poesia incomoda os conformados) -seguindo a mentalidade ultra-reaccionária do salazarismo.


E ironia é ser objecto da indignação dos fiéis ao regime salazarista que mandaram prender o oficial... um poema do poeta José Régio, acusado por Álvaro Cunhal secretario-geral do PCP, de umbiguismo e, pelos seguidores do "realismo socialista", de egotista pequeno-burguês...


Afinal quem é que revoluciona, quem é que inquieta e incomoda -profunda, verdadeiramente?

Moral (possível): a arte verdadeiramente revolucionaria é aquela que é viva, é arte livre de liberdade livre.


Ainda hoje, Cântico Negro há-de parecer revolucionário a muita gente: da extrema direita à extrema esquerda...


Leiam-no... ou façam o favor de o ouvir, na voz de Villaret, que consta do post que referi.

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