...ladrão não rouba trata da vida...PROFISSÃO GOLPE BAIXO
As palavras-chaves da nova ética que informa a nova sociedade: mercado, concorrência, produto. De nova tem pouco a global confraria: não passa do velho liberalismo actualizado, que se alargou às artes. A obra de arte tornou-se produto a lançar ao mercado e à concorrência. E o artista é um profissional, atirado para a praça, onde se licitam os tais objectos do mester e cuja rentabilidade terá que impor, com unhas e dentes. Pesa ele, pois, os apetites dos consumidores e, sobretudo, o peso dos outros artistas, seus adversários. Longe o tempo em que ser artista era vocação; hoje é profissão, em plena luta pela sobrevivência, é combate amoral, em que vale tudo, mesmo tirar olhos. Inquietação e intriga, coisa de sempre, deram lugar ao crime organizado. Eça pensava que na pequenez do nosso meio enraizava a nossa secular má-língua; não é verdade: o circo desavergonhado campa aqui e ali. Já não se limitam os artesãos a esquecer os predecessores; assassinam o vizinho, alegremente. Foi “The Guardian” que me deu a notícia: o fim (o osso) justifica o meio (a desonestidade).
A posta era o lugar de professor de poesia, na Universidade de Oxford, e os concorrentes mais cotados, a poetisa Ruth Padel e Derek Walcott. O que aconteceu? Padel dedicou-se a enviar, a torto e a direito, via internet, informações anónimas sobre a vida sexual de Walcott, que desistiu do concurso. Padel ganhou. Mas, noblesse oblige, clamaram os oxfordianos: verdade ou mentira o que espalhou, a atitude de Padel não se admite. E, nove dias após a posse, Padel demitiu-se. Em suma -atendendo ao que está a dar- Padel não soube ser uma boa “concorrente”.
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