quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Não me atrevi a traduzir esta belíssima poesia de Umberto Saba: diria que traduzi-la seria destruir a sua beleza. Descobri Saba nos maravilhosos anos de Itália, em Veneza e por indicação do meu Amigo-Mestre-Irmão Aldo Zari, que dorme, hoje, em San Michele, a ilha da laguna veneziana onde descansam aqueles que nos deixaram… e junto da qual tantas vezes passámos, no barco que nos levava a Burano, e dizíamos: Aqui quero dormir, um dia. O dia chegou para ele –o meu, quando chegar, não cumprirá o desejo… Mas que importa? É no “bel nuovolo rosato,/ acceso e vagheggiato/ del aurora del dí” que nos reencontraremos. Abaixo, encontras a versão manuscrita das poesia, datada de Roma, 30 Março 1945, que abre o primeiro de três volumes em fac-simile e comprei na sua antiga livraria de Trieste; a seguir, encontrarás a versão que devemos ter por definitiva, já impressa e publicada na Einaudi.



Ammonizione

Che fai nel ciel sereno
bel nuovolo rosato,
acceso e vagheggiato
dal’aurora del di?

Cangi  tue forme e perdi,
quel fuoco veleggiando;
ti spezzi e, dileguando,
 ammonisci cosi:

Tu pure, o baldo giovane,
cui soanan liete l’ore,
cui dolci sogni e amore
nascondano l’avel,

scolorerai, chiudendo
le azurre luci, un giorno;
mai piú vedrai d’intorno
gli amici e il pátrio ciel.

in Il Canzoniere, Poesie





Umberto Saba e o seu canário

3 comentários:

  1. Um grande poeta! E Trieste vem sempre com ele....

    ResponderEliminar
  2. Foi aqui que conheci este poeta de que passei a gostar.

    Bonitas recordações:)

    Nalgum lugar para lá da nossa compreensão, nos voltaremos todos a reencontrar:)

    Beijinhos para o Manuel e para a Maria João:)

    ResponderEliminar
  3. Isabel, é um enorme poeta, a meu ver, o melhor do século XX. Trieste, que a Maria J Falcão cita é uma cidade muito especial que me encantou e onde tenho grandes amigos, entre eles Cláudio Magris.

    ResponderEliminar