terça-feira, 15 de outubro de 2013

Da intemporalidade da Arte

Tomaz de Figueiredo, Joaquim Lagoeiro e eu, na Brasileira do Chiado (1969?, talvez a última fotografia de Tomaz de Figueiredo)


“(…) também o romance de um escritor que, nanja por determinação própria, só porque assim o é, de cerne, não pertence nem poderá pertencer a qualquer escola (visto que não aceita escolas), dum escritor frecheiro livre, insolidário com boticas, dum escritor que não acarneira em linhas gerais, que, se vencer, a ninguém o ficará devendo (muito pelo contrário), que se cair, a ninguém arrastará (ou pinheiro, que, solitário, afronta o vento, ou que então o vento desenraíza e vira, solitário), dum escritor que nem é antigo nem moderno, que se encontrou no princípio enunciado pelo maior de todos os cérebros portugueses (o Padre António Vieira), de que o antigo já foi moderno, de que o moderno há-de ser antigo: portanto que não há nem antigo nem moderno, que há só o verdadeiro fora do tempo.***


Tomaz de Figueiredo in CARTA QUE AO JÚRI DO PRÉMIO EÇA DE QUEIRÓZ ESCREVE TOMAZ DE FIGUEIREDO, Lisboa, 1950, [em 1948, o seu romance A Toca do Lobo fora distinguido com O Prémio Eça de Queirós], citado parcial e essencialmente no excelente livro de Albertina Fernandes, Tomaz de Figueiredo Ensaio Crítico-Biográfico, Calendário de Letras, 2013

*** o sublinhado (chamada de atenção) é da minha responsabilidade

1 comentário: