quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Memória de Teresinha de Almeida

"Mulher no jardim", óleo de Claude Monet, 1867



Pérola de Orvalho

Não se perde uma lágrima de amor
Se de uns e outros olhos vem chorada:
Há-de haver sempre o colo de uma flor
Aonde caia a pérola orvalhada.

Sem o sol da manhã não há sol-pôr;
Ri a pálida luz anuviada…
Como de um bem se espera outro maior,
Real coisa será coisa sonhada.

Tem o imenso Mar os seus escolhos,
Tem a Alma o sonho, tem a flor os frutos.
A alma não se reduz a cinza e pó!

A lágrima sustenta-se nos olhos.
Pior choro é chorar de olhos enxutos!
Porém, nunca na vida eu chorei só.

Afonso Duarte in Ritual do Amor, Obra Poética, IN/CM, 2008

1 comentário: